Archive for ‘março, 2014’

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Escrever, além de ser meu trabalho, funciona comigo também como uma espécie de terapia, sempre gostei de escrever, assim como de leitura e esses “prazeres” acabaram por traçar alguns rumos na minha vida. Hoje, ganho meu dinheiro com isso, buscando fazer minha parte na melhoria da justiça em nosso país e paralelamente, tento passar um pouco das minhas experiências de vida em colunas e artigos que costumo escrever para revistas, sites e blogs. Nesses textos, busco sempre usar como pano de fundo o universo surf, esporte que sou apaixonado desde criança, onde tenho a maioria dos meus amigos e cujo estilo de vida, valores, sonhos e ideais são para mim quase que uma religião. Porém, talvez pelo ritmo atual da minha vida, cada dia mais corrida e com menos tempo disponível, talvez pela falta do mar, da praia, do surf, elementos que tanto me inspiram e que ultimamente se tornaram mais distantes e difíceis de estarem presentes com a mesma frequência e intensidade de anos atrás, tenho escrito muito pouco e agora com a criação do MaiNeLanD.net, tive a ideia de criar esse espaço para voltar a escrever e refletir junto com vocês. Bom! E como o negócio aqui é reflexão, vou pedir ajuda de um cara que eu admiro demais e que constantemente me faz refletir, vou começar citando “Supérfluo e Necessário” de Chico Xavier: “Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição. Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver. Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais. Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros, falar. Uns queriam silêncio; outros, ouvir. Uns queriam sapato novo; outros, ter pés. Uns queriam um carro; outros, andar. Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.” Quanta verdade! Mas afinal, o que é supérfluo e o que é necessário? Nos dias de hoje, na atual sociedade de consumo em que vivemos e somos obrigados a criar nossos filhos, os conceitos de supérfluo e necessário estão longe daqueles que nos foram ensinados por nossos Pais, o mundo é outro, se tornou mais egoísta e menos humano, mais fútil e menos educado, mais imediatista e menos tolerante, mais cruel e menos caridoso, infelizmente a lista é longa, mas é nesse mundo que temos que buscar dia após dia construir nossa felicidade, vivendo o presente de maneira intensa e consciente, lutando e se esforçando diariamente em busca de um futuro melhor para as próximas gerações e desse imenso aprendizado que é viver, quando e se possível, tentar compartilhar um pouco dessa experiência, ou na forma de ajuda, ou de conselhos e porque não num texto como esse pra instigar a reflexão de vocês?!  É isso ai, termino o texto mas a reflexão continua:

– Afinal, o que é supérfluo e o que é necessário?

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Numa dessas mágicas tardes alaranjadas de outono, quando a praia já voltou a ser nossa, quando aquela bagunça e sujeira do verão já se foram e o cotidiano começa a entrar novamente em seu eixo, estava eu sentado em frente ao mar, depois de uma rápida chuva, quando vi por trás das ondas surgir um maravilhoso arco-íris estampado no céu. Logo ele desapareceria e por se tratar de um momento mágico, único, pensei na hora em fotografá-lo. Porém, ao abrir a mochila percebi que havia deixado minha máquina em casa e o que encontrei foram apenas uma caneta e meu moleskine. Foi então que tirei essa “fotografia” com palavras. Esse pequeno poema:

Céu azul de outono

Ondas, mar e um arco-íris

Simplicidade mágica.

Lendo-o, acho que vocês também podem ver e sentir, na sua imaginação, o que vi e senti naquele momento! Não é? Então, vocês já conhecem um “Haicai”. O Haicai é um pequeno poema de três linhas inventado pelos poetas japoneses. É como uma “fotografia” com palavras de um momento único que o poeta viu, ouviu, sentiu, e que o encantou, na natureza. Essa arte chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku. Basicamente o Haicai clássico obedece a quatro regras:

Consiste em 17 sílabas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas

Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana)

Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)

Apresenta tal evento como “acontecendo agora”, e não no passado.

Com o transplante do Haicai para outros países, algumas de suas regras são seguidas com maior ou menor fidelidade, enquanto outras podem ser mesmo ignoradas, dependendo de cada poeta ou da escola seguida. É isso ai galera, MaiNeLanD.net também é cultura, que tal agora vocês criarem o seu Haicai?

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Hoje pela manhã, no trânsito, a caminho do trabalho, enquanto trocava aquele que pra mim foi o melhor cd de rock de 2013 “Lightning Bolt” do “Pearl Jam”, pelo também excelente “Nunca Tem Fim” do nosso brasileiríssimo “O Rappa”, no radio do meu carro entrou um cara de voz rouca, que depois saberia ser o jornalista “Salomão Schvartzman” (BandNewsFM/96,9 SP/diariamente 9h35) falando sobre “Fácil e Difícil”. A primeira frase que escutei foi “Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las.” e por ai ele seguiu “Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar para realizar seus sonhos… Fácil é exibir sua vitória a todos. Difícil é assumir suas derrotas com dignidade… Fácil é beijar. Difícil é entregar a alma… Fácil é desfrutar a vida a cada dia. Difícil é dar o verdadeiro valor a ela… Fácil é rezar todas as noites. Difícil é encontrar Deus nas pequenas coisas…” Terminada a crônica, comecei a refletir sobre o tema e é a partir disso que eu gostaria de começar esse texto. Afinal, quem somos nós para julgarmos algo como sendo “Fácil” ou “Difícil”, quando esse acontecimento, essa ação, reação, história, ou mesmo momento, por menor que ele seja não está ocorrendo efetivamente conosco? O que nos garante que esse outro, agiria, pensaria, ou quem sabe sentiria da forma como imaginamos? Creio que esse tipo de atitude, esse tipo de pensamento, que para alguns, infelizmente, soa como uma espécie de verdade, além de desrespeitar a individualidade do outro, acaba por mascarar seus reais propósitos, sua verdadeira identidade, nos levando consequentemente, a um juízo equivocado da realidade. Apenas para ilustrar e porque não contextualizar essa reflexão num tipo de experiência que creio eu, muitos de nós irão se identificar. Gostaria de contar uma “historinha”, seguinte… Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo esta situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente. Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam calor. E, por isso, tornavam a se afastar uns dos outros. Voltaram a morrer congelados e precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da face da Terra, ou aceitavam os espinhos do semelhante. Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. A partir de mais essa lição da natureza, podemos concluir que um relacionamento saudável, não é aquele que une pessoas perfeitas, até porque ninguém é perfeito, mas sim, aquele onde cada um aceita os defeitos do outro e consegue perdão pelos próprios defeitos, respeitando as “Facilidades” e principalmente as “Dificuldades” uns dos outros. Assim, não vejo maneira melhor de terminar esse texto, senão listando um pouco mais do que meus quase 49 anos de vida me ensinaram sobre o que é “Fácil” e o que é “Difícil”. Vamos lá então: Fácil é demonstrar raiva e impaciência. Difícil é perdoar com amor no coração… Fácil é falar aquilo que o outro deseja. Difícil é dizer a verdade, principalmente quando essa não é agradável… Fácil é enganar todos a nossa volta. Difícil é mentir para o nosso coração… Fácil é julgar o próximo! Difícil é refletir sobre nós mesmos!

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– Filho, eu descobri essas coisas no seu armário… – Qual é o problema de ter uma máscara dos anônimos e um taco de beisebol? – Você usa isso? – Não… quer dizer, as vezes… – É que estou precisando. Será que você me empresta? – Precisando? Pra quê? – É que eu li as coisas que você andou escrevendo na internet… – Você andou lendo o meu face? – Qual é o problema? Não é público? – É…mas… – Pois é, eu li o que você escreveu e … – Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá , mas… eu não vou discutir, são as minhas ideias. Eu sou anarquista e… – Não. Eu achei legal. Você me convenceu. – Convenci? De quê? – Tá tudo errado mesmo… eu li o que você escreveu e concordo. Agora eu sou anarquista também, que nem você… – Você o quê? Pai… que história é essa? – É, você fez a minha cabeça. tem que quebrar tudo mesmo! Agora eu sou Black Bloc! – Pai, você não pode… você é diretor de uma empresa enorme e… – Não sou mais não. Larguei o meu emprego. Mandei o meu chefe tomar no …. Mandei todo mundo lá tomar no …… – Pai, você não pode largar o seu emprego. Você está há 30 anos lá… – Posso sim! Aliás tô juntando uma galera pra ir lá quebrar tudo. – Quebrar tudo onde? – No meu trabalho! Vamos quebrar tudo! Abaixo a opressão! Abaixo tudo! – Você não pode fazer isso, pai… – Posso sim! É só você me emprestar a máscara e o taco de beisebol. E aí, você vem comigo? – Não… acho melhor não… – É melhor você vir porque agora que eu larguei tudo, a gente vai ter que sair desse apartamento… – Sair daqui? E a gente vai morar aonde? – Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa capitalista qualquer e exigir o fim do capitalismo! – Pai, você não pode fazer isso! Não pode abandonar tudo! E a minha mesada? Como vou ficar? – Tô indo! Fui! – Peraí, pai! Pai! Volta aqui! Volta aqui, pai!!!

Voooltaaaaa!

É FÁCIL DAR BOM DIA COM O CHAPÉU DOS OUTROS…

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Cherokee

Os índios Cherokees americanos, famosos por sua coragem, costumavam submeter seus jovens a um ritual de passagem da infância para a idade adulta. O pai levava o filho para a floresta durante o final da tarde, vendava-lhe os olhos e deixava-o sozinho. O filho tinha que se sentar sozinho no topo de uma montanha durante a noite toda, não podendo remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte. Ele não podia gritar por socorro para ninguém e se ele conseguisse passar a noite toda lá, seria considerado um homem. Ele não podia contar a experiência aos outros meninos porque cada um devia tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido. O menino estava naturalmente amedrontado. Ele podia ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podiam, naturalmente, estar ao seu redor. Talvez alguns humanos também podiam feri-lo. Os insetos e cobras podiam vir e picá-lo. Ele podia estar com frio, fome e sede. O vento soprava a grama, a terra sacudia os tocos, mas ele deveria permanecer sentado heroicamente, sem nunca remover a venda. Segundo os Cherokees, este era o único modo dele se tornar um homem. Finalmente… Após essa noite horrível, o sol apareceria e a venda enfim poderia ser removida, revelando, então, o pai havia ficado sentado na montanha próximo a ele, durante toda a noite protegendo o filho do perigo. Nós também nunca estamos sozinhos! Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós “sentado ao nosso lado”. Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que Ele está nos protegendo. Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele não esteja conosco. Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material. Pensem nisso!

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