Archive for ‘abril, 2014’

3DSC_0663

Outro dia voltando pra casa, me deparei no rádio com uma voz ácida muito parecida com a do Bob Dylan, porém, cantando uma canção que eu não conhecia, fui descobrir depois ser um jovem inglês de vinte e poucos anos cujo nome é Jake Bugg. Na hora me veio uma vontade enorme de ouvir “o original” e por coincidência a primeira musica que encontrei, uma das minhas preferidas, foi composta por Dylan quando tinha também vinte e poucos anos, isso em 1962, auge da Guerra do Vietnã, o jovem Bob Dylan refletia com sensibilidade impar sobre a paz, a guerra, a compaixão e a liberdade. A canção recebeu o nome de “Blowin’ in the Wind” e passados mais de cinquenta anos, infelizmente, ela continua atual. Diz mais ou menos assim:

Quantas estradas um homem precisa percorrer
Antes que venha a ser chamado de homem?

Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa repousar na praia?

E por quantas vezes ainda as balas de canhão voarão
Até que sejam para sempre banidas?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

Quantos anos deve uma montanha existir
Até que se desmanche no mar?

Quantos anos devem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas serem livres?

E quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

Quantas vezes deve um homem olhar para cima
Antes que possa enxergar o céu?

Quantos ouvidos deve um homem possuir
Até que possa ouvir o lamento do próximo?

E quantas mortes ainda serão necessárias
Até que perceba que pessoas demais morreram?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

De lá pra cá nosso mundo mudou muito pouco e o ser humano permanece o mesmo. Assim, continuando com a reflexão de Dylan, quantas milhas ainda deveremos percorrer, até alcançar a cidade do amor? Quantas vidas ainda serão castigadas pelo terrível flagelo das guerras. Por quanto tempo ainda nos deixaremos fascinar por futilidades do mundo moderno, ignorando os necessitados ao nosso redor? Quanto tempo ainda haverá de correr, até que aprendamos a conjugar o verbo partilhar? E por fim, quanto tempo irá se passar até que vivenciemos a simplicidade e a sabedoria de palavras como as de Mario Quintana: “O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores.” Quanto Tempo?

 

1 Comentário

12DSC_0365

Em qual momento, afinal, iniciamos um novo ano?  Os cristãos iniciam em janeiro. O povo judaico, em setembro. No meu caso, acredito que essa fronteira virtual de tempo ocorra no dia do nosso aniversário, momento esse, aliás, também adotado pela astrologia no cálculo das chamadas revoluções solares, onde se calcula o momento em que o Sol no céu retorna para o mesmo ponto em que se encontrava no momento do nosso nascimento, no meu caso, ontem dia oito de abril. Assim, nesse momento de renovação, gostaria de republicar aqui no MaiNeLanD.net um dos textos mais marcantes do meu antigo blog. Vamos lá então! Até agora pouco, ainda estava em dúvida se escreveria ou não uma mensagem aqui. Estou vivendo momentos muito difíceis na minha vida pessoal e o reflexo disso tanto no meu lado criativo, quanto na minha inspiração, tem sido arrasador. Porém hoje, me ocorreu à ideia, de tentar passar um pouco desse aprendizado para vocês, afinal, mesmo por pior que seja a situação, sempre teremos uma lição a aprender e uma experiência a compartilhar. Assim, vou tentar começar essa reflexão contando uma antiga história Sufi, tendo como protagonista o filósofo e sábio popular Nasrudin, que viveu durante a Idade Média numa região conhecida como Anatólia, hoje chamada de Turquia, tornando-se famoso por suas divertidas histórias, sempre com pitadas de sabedoria. Diz assim! Certa tarde Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor. “Por que você nunca se casou, Nasrudin?”, perguntou o amigo. “Bem”, respondeu Nasrudin, “para dizer a verdade, passei toda a minha juventude a procura da mulher perfeita. No Cairo, conheci uma moça linda e inteligente, com olhos que pareciam olivas pretas, mas ela não era muito cortês. Depois, em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muitos interesses em comum. Muitas mulheres passaram pela minha vida, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais. Então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem-educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era perfeita”. “E então”, replicou o amigo de Nasrudin, “o que aconteceu? Por que você não se casou com ela?” Pensativo, Nasrudin bebeu mais um gole de chá e concluiu: “Infelizmente, parece que ela estava à procura do homem perfeito.” Assim como Nasrudin, quase todos nós queremos encontrar a perfeição fora de nós mesmos. Criamos em nossa cabeça a imagem ideal da mulher ou do homem que buscamos, projetamos essa imagem em cima da namorada ou namorado, da esposa ou do marido e queremos que ela ou ele corresponda a essa imagem. Ao alimentar essa expectativa utópica, perdemos a capacidade de entender e gostar do ser humano real ao qual nos ligamos. E, muitas vezes, como ele ou ela não podem corresponder a essa expectativa, pelo simples fato de ser produto da nossa idealização e dos nossos desejos fantasiosos, acabamos, frustrados, por rejeitar a pessoa com quem nos relacionamos, quase sempre sem ter sequer “conhecido” essa pessoa. A dificuldade ou incapacidade que muitos têm de ver e aceitar a realidade da vida e do parceiro é uma das maiores causas de conflitos que podem levar a separações. Tais deficiências quase sempre são de mão dupla: quem não tem visão do outro em geral também não consegue ver com nitidez a si próprio. Vive um personagem fictício em relação à sua própria pessoa e um outro personagem fictício projetado sobre seu companheiro. Essa relação entre dois seres imaginários num ambiente perfeito transforma-se rapidamente num teatro do absurdo que se desenrola no interior da própria pessoa, levando-a a um permanente estado de frustração e sofrimento, tanto com a sua realidade, quanto com o seu parceiro. Nesses casos, os processos de autoconhecimento são excelentes caminhos para se tentar reverter essa triste situação. Portanto, ACORDE! Seja feliz com o que você é e o que você tem, valorize as coisas boas e deixe para pensar nas ruins somente quando necessário e de forma objetiva, sem dramas, culpas ou ilusões, tenha sempre fé e esperança num futuro melhor, mas faça também a sua parte, pratique esportes, pratique o bem, tenha uma vida saudável, gaste apenas o que você tem e pode, reavalie sua relação com seu parceiro, seus filhos, pais, irmãos e amigos verdadeiros, comprometendo-se a não perder mais tempo com coisas e pessoas inúteis, invista sim, na sua cultura, na sua saúde, no seu amor próprio e em coisas que realmente irão lhe fazer bem e lhe dar prazer. Construa sua felicidade, ela está em suas mãos!

Deixe um comentário