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Parafraseando nosso querido Raul Seixas, quero começar esse texto lembrando que é preciso ter cultura pra conseguir cuspir na estrutura. Para entender melhor o que quero dizer com isso, vamos começar com um mini flashback, junho de 2013, milhares de pessoas saem às ruas e avenidas de São Paulo, lembro que as primeiras manifestações foram legítimas, trabalhadores, crianças, idosos, famílias inteiras clamaram por um Brasil melhor, tudo transcorreu em paz e o povo soube dar um grande exemplo do que é o exercício da cidadania, eu fui, estava lá, tanto no Largo da Batata, como na Avenida Paulista, assim como caminhei da Praça da Sé até o Anhangabaú no histórico comício das diretas em 84 e pintei a cara pra pedir a renuncia do Collor em 92. Ta certo que não sou nenhum sociólogo, antropólogo, ou algo do gênero, nem tenho conhecimentos teóricos pra analisar manifestações sociais, acho que muito pelo contrário, sou apenas um advogado/surfista, ou seria surfista/advogado, mas como já estou com quase 50 anos nessa história, muito bem vividos por sinal e sou um cara curioso e observador, acredito que isso me credencia para pelo menos tentar colocar aqui a minha visão sobre essa coisa de boicotar a copa, ser contra a copa, manifestações durante a copa e outras bobagens que tenho visto quase que diariamente na impressa, nas redes sociais e até na padaria do português. Assim, voltando só mais um pouco ao mini flashback, a partir do segundo semestre de 2013, quando políticos, sindicalistas e governo se viram na parede com as manifestações, apareceram na história os tais “black blocs” e com eles a violência, o confronto, quebra-quebra, saques, carros e ônibus incendiados, ou seja, o clima mudou totalmente e com essa mudança, pra alegria daqueles que não sabiam como conter a voz do povo, acredito não precisar repetir aqui quem são, os trabalhadores, as crianças, os idosos e aquelas famílias inteiras que clamaram por um Brasil melhor tiveram que voltar pra suas casas e se calar diante do medo, do terror e do caos organizado por um punhado de mascarados cujo intuito é chamar a atenção pra sua oposição ao que consideram símbolos do capitalismo, as corporações multinacionais e aos governos que as apóiam. Sei que é revoltante ler nos jornais que a FIFA vai lucrar R$ 4 bilhões com a copa sem colocar um tostão no Brasil e que segundo o jornal espanhol El Pais a Copa de 2014 será a campeã de gastos em estádios, mais que o dobro do mundial da Alemanha (2006) onde foram gastos R$ 3,6 bilhões de reais para um mesmo número de estádios, sendo que aqui, dos R$ 8 bilhões investidos, apenas R$ 133,2 milhões não envolvem os cofres públicos. Causa indignação saber que no último ranking da consultoria Bloomberg sobre a eficiência dos sistemas de saúde, feito com base em dados oficiais do Banco Mundial, FMI (Fundo Monetário Internacional) e OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil ocupa a última colocação, isso mesmo, a última colocação atrás do Peru, da Venezuela, República Dominicana, Argélia, Irã e Romênia. Na mesma linha, é extremamente preocupante saber que numa outra lista, essa sobre a qualidade dos serviços educacionais, elaborada pela empresa Pearson, ligada ao jornal britânico Financial Times e a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), estamos em antepenúltimo lugar atrás de nações como Colômbia, Tailândia e México. Realmente tudo isso é um absurdo e desperta no cidadão de bem tudo quanto é sentimento ruim, raiva, revolta, indignação e até, talvez um dos piores, a descrença, achar que é impossível mudar, que é assim e pronto, que não temos o que fazer. Eu não penso assim, acredito que é possível mudar, que o regime democrático nos possibilita isso e que existem pessoas honestas e bem intencionadas inclusive na política, porém, pra que isso ocorra é preciso saber como e quando protestar, como disse no início é preciso ter cultura pra conseguir cuspir na estrutura. Agir como se tivéssemos acabado de descobrir que existe corrupção, boicotar uma das maiores alegrias do povo brasileiro por conta de obras superfaturadas e políticos corruptos, seria a mesma coisa que não usar mais a marginal, os túneis, ou o minhocão por conta do Maluf, ou abrir mão da justiça trabalhista em protesto ao juiz Lalau, é uma enorme burrice, é prejudicar o povo, é ir contra o Brasil, é mostrar ao mundo um problema que tem que ser resolvido em casa. Resumindo, apoiar qualquer que seja a manifestação contra a copa não vai mudar em nada as roubalheiras, a corrupção e tudo de errado que aconteceu nos últimos sete anos. O que é preciso fazer e o momento certo para manifestações como as de junho de 2013, para protestos como nas diretas já e para reivindicações como o impeachment do Collor, É VOTAR COM CONSCIÊNCIA NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, só assim poderemos mudar o Brasil, só assim conseguiremos enfrentar esse mar de corrupção. Pense nisso, aproveite a festa e comece desde já a escolher seus candidatos para as eleições! Mas agora, bora torcer, VAI BRASIL!!!

2 Respostas para “AGORA NÃO É O MOMENTO”

  1. Avatar de Raquel Pietrobon Raquel Pietrobon

    lindo texto . E depois? já não basta o carnaval… Mais morfina para a população deixar de pensar, esquecer. Enquanto se grita gol, várias leis absurdas estarão sendo votadas e aprovadas, e o povo gritando Gol. Não sou contra nem a favor do boicote acho legítimo as duas atitudes, sou contra depredação de patrimônio público e privado, agressões por parte da polícia e população, mas se querem fazer greves durante a Copa é uma forma de se chamar a atenção, infelizmente o brasileiro percebeu q aqui tem q ser na “porrada”se não nada muda. E votar está difícil eu pelo menos não tenho opção de candidato.

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