
Novembro de 2015, um dia após os atentados em Paris que mataram até agora 128 inocentes. Nesse sábado, o mundo todo amanheceu em orações e solidariedade ao povo francês. Mais um ato covarde, mais uma tragédia, assim como nas torres gêmeas e no metrô de Londres. Acontecimentos assim nos fazem parar e refletir sobre a vida e é a partir dessa reflexão que resolvi escrever as linhas a seguir tratando de um tema que a muito vem rondando meus pensamentos. Um desejo de juventude, que não consegui realizar e que já há algum tempo vem crescendo dentro de mim dia após dia só que agora numa formatação totalmente diferente. Pois é! O tempo voa! E como as coisas mudaram no nosso país desde a minha infância, quando ganhei do meu pai minha primeira prancha, isso no final dos anos 70, quando eu tinha pouco mais que a idade que meu filho tem hoje. Nessa época, vigorava em nosso país o regime militar e aqui cabe um parêntese àqueles com menos de 50 anos e que eu tenho visto por ai conclamando como solução algo que não viveram e que com certeza não têm a menor ideia do que se tratou de verdade. Pois saibam que esse período foi marcado pela prática de diversos atos institucionais, os quais autorizavam praticas nefastas como censura, supressão de direitos constitucionais, falta total de democracia e repressão criminosa àqueles que eram contrários ao poder. Pois bem, foi nesse cenário, final dos anos 70 começo dos anos 80 (a ditadura militar terminou em 1985) que pela primeira vez tive vontade de morar fora do meu país. Embalado por sonhos como surfar ondas grandes no Hawaii, conhecer a explosão cultural que acontecia na Califórnia e explorar as praias Australianas, comecei a pesquisar sobre o que fazer para embarcar nessas experiências, porém, qual não foi minha surpresa ao ver que com meu salário conseguiria comprar pouco mais que US$ 100 dólares, sendo que o regime militar, olha ele ai de novo, havia determinado para inibir viagens ao exterior um depósito compulsório de, acreditem, US$ 1.000 dólares só para que eles permitissem a sua saída do país. Acabei mesmo, junto com alguns amigos, indo conhecer Saquarema e digo a vocês que foi uma experiência incrível. Bom! Mas isso é uma outra história! De lá pra cá, com muito trabalho e planejamento, realizei muitos desses meus sonhos de juventude, porém, minha opção acabou sendo por ficar aqui no Brasil, viver no meu país, acreditar, votar, pagar impostos, fazer o meu papel de cidadão, criar aqui minha família, meu filho e assim vem caminhando minha vida. No entanto, a cada ano que passa, a cada eleição, a cada escândalo, a cada assalto, a cada sequestro, a cada assassinato, dia após dia, cada vez mais frequentes e próximos a nós e nossos familiares, tenho pensado bastante em assim que possível ir morar fora do Brasil, só que dessa vez não é por conta de ondas perfeitas e sim por buscar segurança e um futuro melhor para o meu filho. Se você leitor chegou até aqui, se está comovido com o que ocorreu na França, preste bem atenção nesses dados e depois me diga, sinceramente, se vale a pena ficar por aqui e expor o futuro de seus filhos a esse risco. A insegurança é um dos principais problemas para um pai que acompanha o crescimento de seu filho no Brasil. De acordo com os dados do Mapa da Violência 2014, levantamento feito com base nas taxas mais atualizadas de homicídios em 100 países, o Brasil está em 7º lugar. Nosso país registrou em 2012 mais de 56 mil homicídios, ou seja, “154 MORTES POR DIA” estando atrás apenas de El Salvador, Guatemala, Trinidad e Tobago, Colômbia, Venezuela e Guadalupe. Para qualquer outro lugar do mundo aonde você for, incluindo todos os países da África, a sua chance de ser assassinado será menor. Pra piorar esse triste quadro, se formos ver a taxa de homicídios em adolescentes de 15 a 19 anos a coisa fica ainda pior, o Brasil ocupa o terceiro lugar com índice de 54,9 homicídios para cada 100 mil jovens. Tendo por base apenas esse aspecto, apenas o índice de homicídios, DE JOVENS ASSASSINADOS, eu diria já ser motivo suficiente para buscar um local mais seguro para viver, porém, infelizmente, sabemos muito bem de inúmeros outros perigos tais como, assaltos, sequestros, estupros, acidentes de trânsito, a lista é longa e a verdade é que a cada ano, infelizmente, a insegurança aumenta em nosso país. Além disso, como é possível acreditar num futuro melhor para essas novas gerações num país em que o povo brinca com seu voto elegendo candidatos do tipo “tiririca”, onde em São Paulo, alguém esquarteja o corpo de um motorista de ônibus e espalha partes dele pela cidade. No Rio, amarram um negro num poste e o espancam. Em Brasília, presos graúdos passam o tempo vendo jogos de futebol em tevês de plasma, enquanto a realidade das prisões são como depósitos degradantes de humanos. Em Belo Horizonte, hospitais públicos recusam atendimento a uma criança à beira da morte. No Nordeste, faltam professores, material, merenda, o dinheiro existe, é desviado e ninguém faz nada. Como é possível planejar um futuro melhor num pais com essa realidade e que, infelizmente, vem piorando ano após ano, eleição após eleição? Quem tiver uma outra solução diante dessa atual realidade brasileira por favor comente aqui, quero muito conseguir acreditar que tudo isso vai mudar, vai melhorar, mas tá difícil. Caso contrário, o último a sair, por favor apague a luz!
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