
Aloha Galera! Dando continuidade ao “vale a pena ver de novo” aqui do blog e uma vez que as “Saideiras” não deram muito ibope, esse mês quero voltar com minha coluna “PoR DentrO do TouR” criada para o site Camerasurf entre os anos de 2009 e 2010, com análises, palpites, bastidores e curiosidades sobre o Circuito Mundial de Surf, coluna essa, aliás, copiada com extrema criatividade pelo site Red Bull Surfing entre 2014 e 2015, trazendo grandes nomes do cenário surf (Teco Padaratz – AGO/14, Adrian Kojin – SET/14, André Gioranelli – DEZ/14, Guilherme Herdy – FEV/15 e Marcos Bocayuva – MAR/15) comentando como convidados algumas etapas do mundial. Bom! Direitos autorais a parte, o “PoR DentrO do TouR” original está de volta pra conversarmos sobre o início da temporada 2017 da WSL. Vamos lá então! Depois de um longo e proveitoso inverno havaiano, com Jadson conseguindo se manter na elite de forma épica com um quinto lugar geral na Triple Crown (5º em Haleiwa, 7º em Sunset e 25º em Pipe), com Adriano sendo vice no Volcom Pipe Pro e com diversas boas performances dos brasileiros durante o freesurf, enfim o circo da WSL foi armado nas areias da Gold Coast para a primeira etapa do ano, o tradicional “Quiksilver PRO” nas famosas direitas do Superbank Australiano. Como muita coisa já foi escrita quero trazer aqui algumas questões que não dizem respeito nem ao retorno cinematográfico de Owen Wright, nem a incrível bateria Medina vs Slater, ou o aéreo 540º do Italo, que, aliás, acabou se machucando durante os treinos e parece que só vai voltar no CT do Brasil (isso se rolar Saquarema). E pra começar, quero falar um pouco de quem está sendo “O Cara!” até agora nesse início de ano, ele é brasileiro, do Guarujá e não é o nosso campeão mundial Adriano “Mineirinho” de Souza. O grande destaque desse começo da passagem do tour pela Austrália atende pelo nome de “Jessé Mendes” e antes de qualquer comentário, gostaria de lembrar que no ano passado, antes da temporada começar, eu disse a mesma coisa sobre o Wilko e muita gente achou que eu estava viajando. Pois é, acho que pela experiência acumulada, pela qualidade do surf que vem apresentando e pelo momento em que se encontra, teremos mais um discípulo do grande Paulo Kid no CT 2018. Após bater na trave algumas vezes Jessé começou 2017 “On Fire” e nas duas primeiras etapas do QS 6000 fez a final em Newcastle vencida por Yago Dora e venceu o Australian Open of Surfing em Sidney tornando-se líder do Qualifying Series com uma boa vantagem sobre os demais. Não bastasse isso foi convidado pra disputar o Drug Aware Margaret River Pro que poderá lhe render valiosos pontos rumo à elite. Jessé viaja e compete desde a infância com um grupo de amigos que se tornaram mundialmente conhecidos como geração Brazilian Storm, além disso, ele namora a também atleta da elite feminina Tatiana Weston-Webb, ou seja, ele conhece todas as ondas, sempre treinou e competiu com os melhores, além de estar vivendo um momento de vida tranquilo, estruturado e ao lado de uma pessoa totalmente inserida no universo surf, o que lhe favorece manter o foco 100% nas competições. Anotaram ai: “Jessé Mendes” Vamos ao próximo! Outro personagem que também vale a pena ser destacado é o primeiro e ao que eu sei único surfista irlandês da história da ASP/WSL (embora seja nascido na Austrália) e que depois de se aposentar em 2015 com uma carreira pouco expressiva, acabou por se tornar uma enorme surpresa como técnico, estou falando de “Glenn Hall” ou “Micro” como era chamado pelos amigos no Tour. Sob as orientações de Glenn Hall o até então inexpressivo Matt Wilkinson surpreendeu a comunidade do surf com um início de ano arrasador em 2016 vencendo as duas primeiras etapas (Gold Coast e Bells), mantendo-se como líder durante boa parte do ano e terminado na quinta colocação. Além disso, também em 2016, sua pupila Tyler Wright garantiu o título mundial feminino com uma etapa de antecipação. Agora, nas primeiras etapas de 2017, no masculino os dois finalistas Owen Wright e Matt Wilkinson são atletas do Micro e no feminino Tyler acabou na quinta colocação sendo barrada apenas pela vencedora do evento Lakey Peterson. Assim, já me desculpando com meus amigos técnicos (rsss…), que tal convidarmos Glenn Hall pra ser o Tite da seleção “Brazilian Storm” nas olimpíadas? Por fim, pra encerra esse retorno do “PoR DentrO do TouR” um assunto, digamos, meio indigesto, porém previsível e diante das últimas notícias, infelizmente, cada vez mais próximo do nosso esporte, qual seja, até quando Dirk Ziff vai bancar a WSL? Digo isso, pois com a renúncia de Paul Speaker (ZoSea) e a saída da Samsung, além do fim da Surfing e da Fluir, será que o “produto” WSL ainda pode ser visto como investimento? Será que o retorno financeiro do Circuito Mundial de Surf valeu a compra das etapas, da piscina de ondas do Kelly e do Big Wave Tour? Será possível um bilionário, que não é surfista, não tem história no surf, continuar colocando milhares de suas verdinhas num esporte sem bilheterias, sem contratos de patrocínio milionários, ou algo que faça multiplicar o dinheiro de seus investidores? Termino por aqui, repetindo uma reflexão que escrevi enquanto voltava pra casa direto das areias do Postinho, após o Rio Pro 2014: “…se o surf não abrir os olhos, pode acabar se descaracterizando, se tornando o que não é, perdendo seus parceiros históricos e finalmente seu verdadeiro público, restando uma “massa de gente” que a qualquer instante pode migrar para o próximo esporte da moda e com ela seus “grandes parceiros” que irão largar a laranja assim que ela não tiver mais suco.” Forte abraço a todos, até Margaret River!

Saudações habitantes do planeta Terra, tinha até algumas ideias do que escrever esse mês, mas depois do recente anuncio sobre a descoberta de um novo sistema solar com sete planetas orbitando em torno de uma estrela chamada “Trappist-1” com grandes chances de em pelo menos quatro deles existir água e com isso condições de vida como na Terra, não resisti em escrever algumas linhas sobre o assunto. Assim, vamos começar a remar nessa Saideira de fevereiro falando dessas recentes descobertas. Começando pelo astrofísico Michaël Gillon da Universidade de Liège na Bélgica e principal autor do estudo que ao ser perguntado pelas redes sociais se ele e sua equipe já sabiam que nomes dar aos novos planetas respondeu com convicção: “Até agora, só pensamos em nomes de cervejas belgas” o que ajuda a entender o nome “Trappist” provavelmente inspirado nas cervejas trapistas, famosas na Bélgica pelo sabor e teor alcoólico fortes e por serem produzidas sob a supervisão dos monges da Ordem Trapista. Além disso, ele deu outras declarações bem interessantes, tipo: “É um sistema planetário alucinante e seu tamanho é surpreendentemente semelhante ao da Terra” E quando ele diz “alucinante” pode ser porque os cientistas afirmaram que se você pudesse ficar na superfície de um dos planetas e de olhos no céu, você veria os outros seis planetas maiores do que nós, terráqueos, vemos a Lua, ou seja, se apreciar nossa Lua cheia já é alucinante, imaginem que irado seis planetas gigantes brilhando no céu. E por falar em Lua, ao ser questionado acerca da existência de satélites naturais ele respondeu: “Seria estranho ter luas tão perto de uma estrela, estudos ainda esclarecerão essa questão, mas se não tiverem o satélite natural e tiverem oceanos, a proximidade entre os planetas pode influenciar no movimento das ondas, assim como a Lua faz na Terra”. Imaginem então como serão essas novas ondas influenciadas pela proximidade dos planetas? Sim, porque se aqui na Terra existe uma diferença enorme entre as ondas do inverno e do verão, lembrando que a Terra demora 365 dias para dar a volta toda no Sol, imaginem a variação das ondas onde o planeta mais próximo demora apenas um dia e meio para orbitar a estrela e o mais distante cerca de 20 dias. Pensando assim, provavelmente todos os dias teriam altas ondas e pra todos os gostos, bastando apenas planejar qual o melhor horário. E têm mais, os planetas são tão próximos que viagens interplanetárias seriam feitas em dias e não meses ou anos como acontece no nosso sistema solar. Algo como fazer uma surftrip no carnaval pra conhecer novas ondas e paisagens em outro planeta em “Trappist-1” será possível. Pensar na existência de vida em outros planetas é um tema que me atrai muito desde que li o clássico “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich von Däniken quando eu era garoto, não tenho dúvidas de que não estamos sós no universo e de que esses nossos vizinhos já estiveram por aqui, as pirâmides no Egito, as estátuas na Ilha de Páscoa, as linhas de Nazca no Peru, os templos de Puma Punku na Bolívia, tem muita coisa a ser explicada e descoberta, porque eles vieram, porque se foram, se é que foram e se não foram, porque optaram por não mais se expor. Como bem disse Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”. Por hora, embora “Trappist-1” sob o ponto de vista astronômico não esteja muito longe, afinal o que são 40 anos-luz numa galáxia com mais de 100 mil anos-luz de diâmetro, visita-lo só será possível quando a humanidade conseguir dominar a velocidade da luz. Só pra se ter uma ideia, com a tecnologia mais avançada que dispomos hoje levaria algo em torno de 700 mil anos pra chegar lá, assim, a nossa vida, o nosso mundo, nossa história foi e será construída por aqui mesmo, nesse fantástico planetinha azul chamado Terra, cabendo a nós cuidarmos dele para que as futuras gerações possam usufruir, assim como nós, de sua enorme beleza. É isso ai, nos vemos na próxima Saideira!