Archive for ‘abril, 2017’

Aloha Galera! Mesmo com excelentes ondas, campeonatos com organização impecável e com “estrangeiros” vencendo dois dos três eventos, infelizmente, a elite do surf mundial deverá perder o sensacional Drug Aware Margaret River Pro em 2018, o motivo, além do aspecto financeiro, seria que os atuais “donos do jogo” acham que três etapas favorecem demais os australianos e como venho falando aqui já faz um bom tempo, o Dirk Ziff’s Crew, leia-se atual comando da WSL, quer a qualquer custo que os protagonistas do Championship Tour sejam Yankees, ou seja, embora eles nunca venham admitir, essa história de Brazilian Storm ou Aussie Young Guns não interessa nem um pouco aos atuais mandatários do maior circuito de surf competição do planeta, eles querem ser os mocinhos, os heróis, assim como em suas produções de Hollywood. Bom! Melhor parar esse assunto por aqui e polêmicas a parte, vamos falar de Bells. Enfim deu Jordy! E pra quem achava que o título desse ano já estava garantido para John John, nesses eu me incluo, com essa vitória o gigante sul-africano mostrou que está na briga, ele não só apresentou um surf de altíssimo nível, como competiu com o livro de regras debaixo do braço surfando sempre dentro dos critérios que os juízes queriam ver. A muito que torço pelo Jordy, a qualidade de seu surf sempre foi indiscutível e o que lhe faltava talvez fosse um pouco mais de determinação em vencer, um pouco de paciência, de fazer o que é preciso pra passar a bateria e que muitas vezes não é o que faz a praia toda vibrar, o aéreo mais alto, o tubo mais insano, a maturidade parece ter trazido essa consciência de que as vezes para cumprir o dever de casa é necessário fazer o arroz com feijão ao invés de dar show. Gostei muito da declaração dele após enfim badalar o tão cobiçado sino de campeão: “Eu venho tentando ganhar este campeonato há 10 anos e conseguir agora é um sentimento incrível, um grande sonho se tornando realidade para mim. Depois de alguns anos sofrendo com lesões, sinto que as peças do quebra-cabeça estão se encaixando este ano. Minha esposa e minha família estão comigo e não poderia conseguir nada disso sem o apoio deles”. Outros dois caras que pra mim também estão na briga e que parecem estar com essa mesma pegada, ambos atravessando momentos em que a maturidade aliada ao equilíbrio familiar e profissional estão fazendo a diferença no foco e equilíbrio dentro das baterias são Owen Wright e Adriano de Souza. Por fim e não menos importante, quero escrever algumas linhas falando sobre Filipe Toledo, sim, todos sabem da minha admiração e torcida pelo Filipinho, isso não é novidade pra ninguém que acompanha minhas colunas, porém e já desafiando os críticos sempre de plantão, mesmo com o que escrevi sobre Jordy, Owen e Adriano, com John John quebrando tudo e sendo nesse momento o grande favorito ao título, além de Medina e Fanning que mesmo aparentemente fora da briga serão sempre favoritos, quero que vocês anotem ai: #77 TOLEDO como minha aposta para ser o Campeão Mundial de 2018. Com seu 3º lugar num dos maiores mares da história em Margaret, com Slater, Medina e Fanning não passando nem do round 03 e agora esse 5º em Bells (diga-se de passagem, pela terceira vez 2013, 2015 e 2017) vencendo de forma inquestionável o três vezes campeão do evento e especialista no pico Joel Parkinson, em ondas grandes e com manobras de borda, creio que não há o que se falar mais sobre a coragem, habilidade e preparo do Filipe em ondas com tamanho e pressão. Agora é aguardar os próximos capítulos começando por Saquarema, pra mim a melhor onda do Brasil, onde Wilko (2012) e Guigui (2014) já venceram. Forte abraço a todos, agora é em casa!

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Aloha Galera! Parafraseando a lenda do radio esportivo Fiori Gigliotti: “Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo em Margaret River!”. O Drug Aware Pro 2017 no selvagem oeste australiano foi sem dúvida um campeonato para entrar na história, não só pelo mar épico que rolou no sábado (01/04) com ondas de 15 pés em Main Break, mas principalmente pela altíssima performance e o show de surf apresentado por John John Florence. O Príncipe do Hawaii e sucessor de Andy Irons, depois de sagrar-se campeão mundial no ano passado (2016), vem mostrando que seu surf continua em constante evolução, elevando os limites do esporte para um patamar cada vez mais próximo da perfeição. Prova disso foram suas médias durante o evento: 19.27 no terceiro round, 19.16 no quarto round, 18.04 nas quartas, 19.27 na semi e 19.03 na final. Sua superioridade foi tão grande, que o único adversário que ele não deixou em combinação foi Michel Bourez nas quartas, mesmo assim o Spartan ficou precisando de 9.28 para vencer. Caberia aqui até escrever algo sobre outros fatos que marcaram esses dias em Magaret, como a escolha errada de prancha do Medina no segundo round, que acabou lhe custando uma derrota para o desconhecido Jacob Willcox e sua saída prematura da competição, ou então a inusitada paralisação da semi final entre Filipe e Kolohe por conta de um cardume de salmões e falando em Filipinho, vale destacar seu terceiro lugar no evento, demonstrando em ondas enormes toda qualidade e radicalidade do seu surf, esbanjando manobras de borda, muita pressão, comprometimento, coragem e sem nenhum aéreo (isso vale para os críticos). Porém, falar de Magaret 2017 é falar de John John, é falar de um outro nível de surf, falar do futuro do esporte, não que outros integrantes do tour não tenham feito manobras e até baterias nesse nível, mas o que surpreendeu a todos foi a regularidade que ele mostrou durante todo o evento, foi o altíssimo nível em todas as baterias, pra não dizer em todas as ondas. As dificuldades nas ondas de Main Break eram evidentes pra todos menos quando Florence entrava no mar, o surfista da lycra número 12 tornava tudo fácil e divertido. Por sinal, essa sensação de “ser fácil” a mesma de quando assistimos Neymar driblar, ou Federer rebater, sempre fez parte do estilo de John John sendo fruto de seu talento natural incontestável, agora, o que vem ocorrendo desde o ano passado, diga-se de passagem primeiro ano em que ele conseguiu competir todas as etapas sem estar lesionado, é que primeiro com a ajuda de Bede Durbidge e agora com as orientações de Ross Williams, o jovem campeão vem desenvolvendo estratégias para vencer as baterias e construir bons resultados. Além disso, quando se fala de John John é importante também destacar seu relacionamento desde que tinha 5 anos de idade com seu conselheiro e shaper Jon Pyzel (Pyzel Surfboards), proporcionando a ele sempre pranchas que atendem 100% das suas necessidades. Ou seja, ele está surfando com o melhor equipamento, utilizando todo o seu talento, dentro dos critérios que os juízes querem e com o livro de regras debaixo do braço. O resultado disso tudo foi a brilhante campanha de 2016 com duas vitórias (Rio e Portugal), dois vices (J-Bay e Tahiti), um terceiro (França), três quintos (Gold Coast, Fiji e Pipeline) e três décimos terceiros (Bells, Margaret e Trestles) e nesse ano de 2017 além de ser o líder do ranking (3º na Gold Coast e 1º em Margaret River) é o mais cotado para ser campeão mundial. Quer ver mais sobre John John Florence assista seu filme “View From a Blue Moon” aqui: https://youtu.be/ROAejW6-5Qw Forte abraço a todos, até Bells!

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