Aloha Galera! Que temporada está sendo essa de 2017? Que etapa foi essa de J-Bay? Que performance foi essa do Filipinho? Estamos na metade do circuito, seis etapas e seis vencedores diferentes. A bancada de J-Bay estava épica proporcionando ondas perfeitas e um recorde histórico de notas 10. E o que dizer do Filipe, do nível que ele atingiu em seu surf performance, seu desempenho tornou realidade o que até então era possível apenas em videogames. Como Renato Hickel costuma brincar: “- Quê qué issu Perivaldo??”. Acompanho o surf competição já faz muitos anos e lembro-me de poucos momentos assim tão marcantes no sentido de superação de limites, do cara surpreender a todos e fazer o impossível, essa onda do Filipe, que pra muitos está sendo considerada nota 15, com dois alley-oops, seguidos de cut back, rasgadas e um floater no critico pra finalizar, foi algo como Tom Carroll no Pipemasters de 91 com seu lendário “snap heard round the world” feitos inéditos e únicos na história do Tour. Não tenho dúvidas de que Filipinho entrou pra história e agora mais do que nunca, conforme, aliás, já tinha cantado a bola por aqui no PDT – BELLS, ele embora na 7ª colocação e tendo pela frente a etapa do Tahiti, sem dúvida uma das mais desafiadoras para o seu surf, tem nas etapas seguintes Trestles (foi 3º em 2015), Hossegor (foi 3º em 2013) e Peniche (venceu em 2015) totais condições de obter bons resultados, indo para o Hawaii no final do ano como um dos candidatos ao título em Pipeline. Porééém… Essa briga não será nada fácil, o tour 2017 está sendo um dos mais disputados dos últimos anos e ao que parece ficará a cada etapa mais emocionante. No topo da tabela Wilko (31.950 pts) mesmo com sua base estilo “Siri Cascudo” vem se mostrando eficiente e seguindo a risca as orientações de seu excelente técnico Glenn “Micro” Hall, que está fazendo o cara surfar exatamente dentro dos critérios que os juízes querem ver. Logo atrás, tecnicamente empatados e cada um com uma vitória, temos John John (31.700 pts – 1º em Margaret), Jordy (31.350 pts – 1º em Bells) e Owen (30.150 pts – 1º na Gold Coast), os três nunca estiveram tão preparados e todos, cada um com sua particularidade, vivendo momentos especiais em suas carreiras. O próximo na lista, pra mim o melhor competidor do Tour, nosso “Capitão Nascimento” Adriano de Souza (27.900 pts – 1º no Rio) jamais pode ser descartado, principalmente nesse ano com sua pré-temporada no Hawaii coroada com o 2º lugar no Volcom Pipe Pro, depois chegando as quartas tanto em Bells, quanto em Margaret, seguido de um 3º no QS de Keramas em Bali e então sua vitória incontestável, passando todas as baterias invicto, vencendo tudo e todos em Saquarema. Pra fechar os Top 10, nesse ano onde todos estão no páreo, não podemos menosprezar os campeões mundiais Parko (6º com 24.400 pts) e Medina (9º com 21.000 pts), ou seja, até agora nada está definido, pelo menos no que diz respeito a quem será o Campeão Mundial de 2017. No entanto, algo me diz que J-Bay 2017 foi decisivo para a definição da aposentadoria do maior surfista de todos os tempos. Aos 45 anos, com 11 títulos mundiais e uma coleção de recordes e feitos sem precedentes, arrisco dizer que Slater, que acabou se machucando (fraturou dois ossos do pé direito) durante uma sessão de freesurf, ficando fora da competição, da briga pelo título e das próximas etapas, bem como, que no início do ano já havia declarado que 2017 seria seu último ano de participação integral no tour, a partir de agora, não irá desperdiçar essa oportunidade pra sair de cena ainda por cima e por conta de sucessivas lesões, podendo se dedicar aos seus negócios, ao freesurf com os amigos e quando as previsões estiverem boas, porque não, algumas participações especiais em etapas do tour como convidado. Por fim, conforme minhas previsões aqui logo no começo da temporada no PDT – GOLD COAST, já temos confirmado um novo brasileiro no World Tour 2018, o guarujaense Jessé Mendes é o atual líder absoluto do Qualifying Series com 22.060 pontos, estando matematicamente garantido para disputar a elite do surf mundial no ano que vem. Atualmente, ele está à frente 10.000 pontos dos 2º e 3º colocados, respectivamente Willian “Panda” Cardoso (12.095 pts) e Yago Dora (11.960 pts) e depois de sete anos na disputa enfim chegou sua vez. Com dois 1º lugares (Australian Open of Surfing e Ichinomiya Chiba Open) e uma 2º colocação (Toyota Pro de Newcastle) em eventos QS 6.000, bem como um 5º no disputadíssimo Ballito Pro evento QS 10.000 vencido por Jordy Smith, o novo reforço da Brazilian Storm chega ao circuito como uma das maiores promessas dos últimos anos, sendo minha aposta desde já para ser Rookie of The Year de 2018. É isso ae, por hoje é só, forte abraço a todos e até Teahupoo!