Posts de MaiNeLanD

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Foto Revista HARDCORE, fotógrafo Caio Palazzo.

Há exatos cinco anos, no começo de setembro de 2011, eu estava cobrindo o inusitado Quiksilver Pro New York na praia de Long Beach, onde por sinal rolaram altas ondas, quando Bobby Martinez, um dos melhores goofys que eu já vi surfar, numa entrevista ao vivo, após vencer sua bateria, criticou duramente a ASP, abandonando o circuito e dando fim a sua carreira no surf competição. Coincidência ou não, no evento seguinte fomos pra Califórnia, onde tive a oportunidade de acompanhar a entrada no circuito mundial da então jovem promessa do surf brasileiro Gabriel Medina. Pois é, muita coisa aconteceu desde então, Gabriel hoje já não é mais promessa, já foi campeão do mundo e atualmente é considerado quase que como uma unanimidade entre surfistas e público como o número um, o melhor de todos, o mais talentoso, o mais completo, algo como Kelly nesses últimos anos, a bem da verdade, Medina está sendo o sucessor natural de Slater. No entanto, tem gente graúda que não está querendo aceitar essa quase que incontestável verdade absoluta. A ASP, hoje WSL foi comprada a alguns anos pela ZoSea Media Holdings, do ex-membro do conselho da Quiksilver, Paul Speaker, atual CEO da entidade, pelo agente do Kelly Slater, Terry Hardy, e por um casal de bilionários da Florida, Dirk e Natasha Ziff, agora membros da diretoria, ou seja, quem manda na coisa toda são eles, é o $$$ deles e pelo que vem ocorrendo em diversos julgamentos descaradamente tendenciosos, isso pra ser educado e não dizer outras coisas, os donos da bola querem ter seus próprios ídolos e não estão nem ai pros meios que terão que adotar pra que isso ocorra, o que importa pra essa gente são os fins, afinal não podemos esquecer que a WSL é uma empresa, uma empresa de entretenimento, tal qual a FIFA e tantas outras por ai, empresas que tem como objetivo principal o lucro, o dinheiro e pra isso eles criam os roteiros que melhor lhes favorecem. Me desculpem aqueles com uma visão, digamos, mais romântica do surfe, pra vocês, quem sabe com as olimpíadas alguma coisa possa melhorar. Ou então, quando nossos garotos surfarem MUUUUITO mais que os queridinhos deles, o que não é dificil em se tratando de Medina, Toledo e Cia, e ai a nossa vitória não tiver como ser levada no tapetão, será um enorme prazer olhar bem no fundo dos olhos dos juízes, dar “aquele” sorriso e lembrar da famosa frase do mestre Zagallo “Vocês vão ter que me engolir”.

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CAPA

“O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana” Stephen Hawking

Semana passada participei de um evento sobre computação cognitiva, inteligência artificial e utilização de bots. Confesso que, apesar de ser um entusiasta de tecnologia, me senti um tanto quanto meus avós, lááá nos primeiros tempos da televisão, sem acreditar que a imagem de uma pessoa distante pudesse aparecer naquelas caixas com telas de vidro. Deixe-me dividir um pouco dessas novidades com vocês. Então… Recentemente a IBM divulgou que num futuro próximo os computadores irão poder simular todos os sentidos humanos. Por exemplo, aqui mesmo no Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Instituição pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura) já desenvolveu sensores de paladar para analisar vinhos. Isso mesmo, sensores que medem a acidez, o amargor, a quantidade de tanino, entre outros componentes do vinho, transformando esses resultados em sinais elétricos que são transmitidos a uma máquina para serem armazenados como conhecimento sobre sabores de vinho. Seguindo nesse mesmo universo dos sentidos, existem pesquisas sobre a audição, onde estão sendo analisados os campos semânticos de diversos estilos musicais, as temperaturas, padrões de textura e rigidez dos materiais em estudos sobre o tato e assim por diante para cada um dos outros sentidos humanos. Incrível, né?! Dentro da realidade a que temos acesso, isso porque tem muitas coisas que não vem a público, já existem super-máquinas capazes de vencer disputas com os campeões mundiais de xadrez, com os maiores vencedores do programa Jeopardy (uma espécie de Show do Milhão da rede americana CBS) e até um protótipo de robô projetado e construído pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que além de ter forma semelhante à de um humano (cabeça, olhos e braços) ele possui um sistema nervoso artificial que pode simular tanto as fases de crescimento do homem, como seus pensamentos e sentimentos, adquirindo conhecimento na medida em que interage com os seres humanos assim como os bebês humanos fazem. Os assistentes pessoais inteligentes (Siri, Google Now, Cortana, etc.) hoje já são uma realidade tanto em smartphones, televisores, como até em veículos e não está longe o dia em será possível conversar naturalmente com as máquinas como se fossem pessoas dotadas de plena compreensão. Na verdade robôs como o Asimo da Honda, já fazem isso, mas de forma “ainda” limitada. E recentemente em Cingapura começaram os testes de um serviço de “robô-táxi” ou “carros autônomos” como estão sendo chamados, onde através de um aplicativo de celular pessoas podem chamar veículos elétricos da Mitsubishi equipados com um sistema capaz de guiar sozinho. As máquinas estão cada vez mais envolvidas em todos os setores das atividades humanas, do controle bancário até o comando de aeronaves, de delicadas cirurgias até os setores de montagem de veículos. A motivação por traz de todos esses “avanços” tecnológicos seria facilitar a vida do homem, poupando-lhe esforços e assegurando-lhe maior tempo livre. Contudo, será que esse tempo maior de lazer está sendo bem aproveitado? Voltando ao início do texto, quando disse ao meu filho sobre os temas do evento, principalmente “inteligência artificial” ele me respondeu de forma clara e objetiva que gostaria de participar e dizer a todos que “desenvolver esses tipos de tecnologias é colocar em risco toda uma geração” no caso, se referindo à geração dele, ele só tem 13 anos. Com a minha cara de espanto, ele então procurou me explicar um pouco mais do seu entendimento sobre o assunto: “Pai, se a sua geração criar máquinas com inteligência artificial e vontade própria, quem garante que essas criaturas não irão se voltar contra a minha geração?”. Deixei-o na escola, fui ao evento e estou aqui refletindo com vocês, será que isso pode acontecer? Em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” filme esse de 1968, isso mesmo 1968, ou seja, há quase 50 anos atrás Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke já nos alertavam para os perigos da criatura se voltar contra o criador. No filme, o computador da nave HAL 9000 voltasse contra os tripulantes ao perceber que eles querem desativá-lo pondo em risco a missão para a qual foi programado. A solução encontrada no cinema foi simples, após muito suspense e ação, o mocinho consegue tirar “Hal” da tomada. Será que com esses “avanços” não estaremos colocando em risco nosso futuro?

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Salve galera!! Essa postagem foi uma das mais comentadas no meu Blog antigo e é dedicada aos iniciantes no esporte, para que possam aprender  e entender um pouco mais sobre o mar, saúde, treinamento, equipamentos e vários outros detalhes que poderão ajudá-los numa melhor compreensão do esporte radical mais praticado no mundo.

CONDIÇÕES DO MAR

Por ser um esporte que não depende somente da vontade do surfista, existem vários fatores externos que precisam se conjugar para que se possa praticá-lo. Nem sempre o mar e/ou o vento apresentam condições favoráveis a pratica do surf na praia mais próxima de sua casa ou seu pico predileto. De acordo com o posicionamentos geográfico das praias, as influências dos ventos, marés, correntes e a direção do swell, variam muito, portanto, você deve conhecê-los bem para ir ao local certo e fazer um bom surf.

VENTOS E CORRENTES

Para se ter melhor conhecimento sobre ventos e correntes devemos conhecer os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). O Sol nasce no Leste e se põe no Oeste, a partir daí saberemos que nome daremos ao vento e quais suas influências no mar.
Por Exemplo:
– O vento terral tem este nome porque sopra da terra para o mar.
– Um vento quente, geralmente alisa o mar e torna as ondas cavadas.
– Muitos dias de vento terral pode acabar com a ondulação.
– O vento maral é o inverso do terral, sopra do mar para a terra.
– Um vento frio, pode trazer grandes ondulações ou frente fria.

LUA

As variações da lua influem diretamente nas marés, luas fortes (lua cheia e nova) significam marés com muitas variações (muito alta e muito baixa). Luas fracas (minguante e crescente) significam poucas variações de marés. As mudanças das luas também podem influir no tamanho e formação das ondas.

FUNDOS

Os tipos de fundos têm influência na qualidade da formação das ondas.
Fundo de Areia: São bancos de areia que se modificam de acordo com as correntes e ventos, são cercados de valas que fazem a boa formação das ondas ou não, quando elas estão com pouca força.
Obs.: As valas são buracos ou correntes onde a água empurrada pelas ondulações para praia retorna ao oceano. Elas ficam sempre entre dois bancos de areia, o que é muito bom para os surfistas, pois chegamos ao fundo com mais facilidade e perigosas para os banhistas, pois muitos se afogam nelas, lutando contra sua força.
Exemplo de fundos de areia: Barra da Tijuca (RJ), Hossegor (França), Puerto Escondido (México).
Fundo de Pedra: Formados perto de encostas que têm origem no mar, são fundos constantes que só dependem de uma boa ondulação vinda na direção certa.
Obs.: Em alguns lugares, longe de encostas, existem acúmulos de pedras que fazem ondas de boa formação no meio das praias.
Exemplos de fundos de pedra: Rincon Point (Califórnia), Silviera (SC-Brasil).
Recifes de Coral: Este tipo de fundo se classifica de duas formas: (A) a que se forma a partir da praia e (B) as que se formam longe das praias.
Nas que se formam longe das praias como Pipeline e Serrambi (Pernambuco), as ondulações encontram as paredes de recifes fazendo com que as ondulações quebrem longe da praia e acabem nos canais (valas). Dependem de um conjunto de fatores para que se tornem realmente boas. O outro tipo de fundo de coral se forma a partir da praia ou de fundos muito rasos que quase formam pequenas ilhotas e, pela proximidade um do outro como arquipélago, qualquer tipo de ondulação e vento proporciona um bom divertimento fazendo ondas que muitas vezes só conseguimos chegar ao pico usando barcos. (Ex.: Cloudbreaks de Tavarua nas Ilhas Fiji). Neste último tipo, se deve ter muita atenção com a variação das marés, pois, quando esta muito baixa se torna muito perigoso (os corais são muito afiados e em muitos momentos ficam expostos podendo causar ferimentos).

PREPARO FÍSICO

Todo surfista competidor deve fazer um trabalho de preparação física orientado por um professor de Educação Física (com trabalho específico para o surf). O treinamento diário deverá ser feito com muita disposição e seriedade em horários certos, pois somente desta forma o surfista deverá alcançar uma boa condição física e um melhor desempenho esportivo. Para os praticantes do “free surf” que não queiram ou não possam ter uma orientação profissional, recomendamos que façam exercícios físicos como: correr, nadar e pedalar de forma progressiva até se chegar a mais ou menos uma hora de trabalho diário para cada modalidade e exercício. Fazer aquecimento, alongamento, flexibilidade antes e relaxamento depois do surf é super importante, desta forma obtem-se um melhor desempenho no mar.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação deve ser a mais saudável possível, adequada ao clima local. No caso do competidor, recomendamos o acompanhamento de um nutricionista, principalmente por causa das constantes viagens, variações na alimentação e clima. Equilíbrio na ingestão de proteínas, vitaminas, carboidratos e sais minerais. Evitar gorduras, sal e açúcar (branco) e fazer as refeições em horários certos, são também ótimos hábitos que mantém uma boa saúde, pois a prática do surf estimula o apetite pelo fato de consumir muitas calorias. Portanto, devemos saber como repô-las da forma mais saudável possível.

DESCANSO

Devido ao grande desgaste físico, orgânico e psicológico decorrente da prática de um dia de surf (no caso de uma competição este desgaste é muito maior), deve-se cumprir um rigoroso horário de descanso de no mínimo 8 horas diárias para repor as energias (de preferência dormir e acordar cedo).

PREPARO TÉCNICO

A preparação técnica deve ser feita por um profissional, de preferência com formação acadêmica. Esse treinamento deve ser feito nos mais variados tipos de onda, condições de mar e locais. Reconhecer suas manobras de maior dificuldade e procurar corrigi-las através de filmagens (se possível) e conversas com seu técnico. A observação do posicionamento próprio, comparado ao de grandes surfistas, em fotos ou filmes, sobre a prancha é super importante para correção de nosso erros, pois a cada momento da onda se tem a necessidade de um posicionamento específico, saber usar os joelhos como amortecedores e impulsionadores, usar os braços e o corpo como pêndulos mantendo-os com a angulação correta de acordo com cada momento da onda para maior equilíbrio e velocidade. A repetição do treinamento é muito importante para que se consiga corrigir os erros e realizar as manobras da melhor forma possível, ou seja, com velocidade, radicalidade, pressão, equilíbrio e controle da prancha aliados a um belo estilo e economia de movimentos. O uso do corpo como um todo, juntamente com a prancha (usada de forma harmoniosa) e o mar, torna o surf num dos mais belos espetáculos da terra.

PREPARO PSICOLÓGICO

De modo algum se deve permitir que o surf atrapalhe os estudos (é possível e muito benéfico para o surfista, organizar-se para conciliar as duas coisas). Um surfista não deve ser alienado nem burro. Ele precisará cuidar de seu futuro e, mesmo aqueles competidores que futuramente seguirem o profissionalismo devem se precaver e saber que um campeão não se faz apenas com um bom preparo técnico e físico, mas com muita inteligência (procurar ver a vida com maior amplitude). Ser realista e analisar que a vida útil na carreira de um atleta é curta e nem sempre compensadora financeiramente. Portanto estude e tire o máximo proveito do estudo!

DROGAS

O surfista precisa ter um corpo e uma mente saudável, portanto afaste-se delas, pois nossa busca é pela saúde e não pela destruição.

REGRAS E TÁTICAS

O surfista competidor deve ter conhecimento de todas as Regras de competição, o que se consegue através de um estudo do Livro de Regras. As táticas de competição são desenvolvidas pela observação, conversas e experiências vividas durante as baterias nos diversos campeonatos e também nos treinamentos, onde colocamos em prática tudo o que foi absorvido para chegarmos ao melhor resultado.

ESCOLHEDO A PRANCHA

Se você está estreando no surf, muita atenção ao escolher a prancha. Prefira as maiores. Elas são mais lentas e, por tanto, mais fácil para se equilibrar. Mas cuidado. Toda a prancha deve ser proporcional ao seu peso e altura. Para um surfista de 65 Kg e 1m e 62cm de altura, o ideal é uma prancha de 6’3 (seis-três polegadas) e por ai vai. Nas lojas, peça sempre informações. Se for a uma surf shop, peça o endereço e a procedência do fabricante, pois, caso haja algum problema, você saberá a quem recorrer. Verifique se existem pontos fracos nas emendas dos tecidos, bordas, edges e rabeta. Veja se há tecidos esbranquiçados nas quilhas e possíveis bolhas nas bases. Verifique o peso da prancha. Desconfie se ela for muito leve, pois pode ter somente um tecido no deck (em cima) e em pouco tempo, com a pressão dos pés, o glass irá afundar. Fique atento com pranchas que tenham o preço muito baixo, pois você pode estar sendo cobaia de alguém que está iniciando no ofício ou de algum pára-quedista do mercado. Se o acabamento final for speed finish ou fosco (lixa d’água), verifique a prancha com atenção redobrada, já que estas formas de acabamento escondem mais os defeitos no glass, assim como as pinturas, que devem ser feitas no shape antes da laminação. Lembre-se que o Brasil é hoje o país onde as pranchas têm os preços mais baixos. Portanto 20 ou 30 reais a mais, na hora da compra, podem representar maior durabilidade, maior valor de revenda, mão-de-obra qualificada, qualidade de material empregado, marca conceituada no mercado e, principalmente, o prazer de ter efetuado uma boa compra.

CONSERVANDO A PRANCHA

Sabemos que uma prancha não é um material barato, imagine se não cuidarmos com todo carinho. Então aqui vão algumas dicas importantes para que possa cuidar melhor do seu valioso equipamento: (1) Usar sempre uma capa para proteger sua prancha tanto do sol como contra eventuais pancadas; (2) Não deixe nunca sua prancha exposta pôr muito tempo ao sol, pois além de amarelar mais rápido pode aparecer bolhas no glass; (3) Em hipótese alguma deixar a prancha com capa escura ou clara dentro do carro todo fechado debaixo de um sol muito forte, pois poderá ter danos irreparáveis como regressão do bloco e bolhas; (4) Depois de um dia de surf lavar sempre a prancha e o leash; (5) Se usar parafina trocar quando estiver muito suja ou escurecida e quando for passar uma nova coloque sempre uma boa camada de parafina isto irá proteger o deck (parte de cima) da prancha contra amassões; (6) Qualquer quebrado ou trinco, vedar imediatamente com silvertape (fita adesiva prateada) para que não infiltre água e levar o mais rápido possível em uma oficina especializada para fazer os reparos; (7) Evite colocar uma prancha encima da outra se estiver com parafina, pois pode grudar no fundo e alterar o desempenho e fluidez nas ondas.

CONCLUSÃO

O surf pode ser praticado por qualquer pessoa de qualquer idade, porém antes de sair se arriscando nas ondas tire suas dúvidas com algum surfista mais experiente ou procure alguma escola do esporte. Existem muitas escolinhas espalhadas pela maioria das praias do País. Para as crianças é essencial que estejam acompanhadas, pois os perigos são maiores. Respeite sempre a natureza e acima de tudo seus próprios limites, nunca tente fazer mais do que consegue e jamais se arrisque em condições acima do seu controle. Aproveitem, surf é vida, surf é saúde, surf é viver momentos inesquecíveis junto a essa maravilhosa natureza que nos cerca, venham para o Mundo do Surf! Keep Surfing!!!

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Novembro de 2015, um dia após os atentados em Paris que mataram até agora 128 inocentes. Nesse sábado, o mundo todo amanheceu em orações e solidariedade ao povo francês. Mais um ato covarde, mais uma tragédia, assim como nas torres gêmeas e no metrô de Londres. Acontecimentos assim nos fazem parar e refletir sobre a vida e é a partir dessa reflexão que resolvi escrever as linhas a seguir tratando de um tema que a muito vem rondando meus pensamentos. Um desejo de juventude, que não consegui realizar e que já há algum tempo vem crescendo dentro de mim dia após dia só que agora numa formatação totalmente diferente. Pois é! O tempo voa! E como as coisas mudaram no nosso país desde a minha infância, quando ganhei do meu pai minha primeira prancha, isso no final dos anos 70, quando eu tinha pouco mais que a idade que meu filho tem hoje. Nessa época, vigorava em nosso país o regime militar e aqui cabe um parêntese àqueles com menos de 50 anos e que eu tenho visto por ai conclamando como solução algo que não viveram e que com certeza não têm a menor ideia do que se tratou de verdade. Pois saibam que esse período foi marcado pela prática de diversos atos institucionais, os quais autorizavam praticas nefastas como censura, supressão de direitos constitucionais, falta total de democracia e repressão criminosa àqueles que eram contrários ao poder. Pois bem, foi nesse cenário, final dos anos 70 começo dos anos 80 (a ditadura militar terminou em 1985) que pela primeira vez tive vontade de morar fora do meu país. Embalado por sonhos como surfar ondas grandes no Hawaii, conhecer a explosão cultural que acontecia na Califórnia e explorar as praias Australianas, comecei a pesquisar sobre o que fazer para embarcar nessas experiências, porém, qual não foi minha surpresa ao ver que com meu salário conseguiria comprar pouco mais que US$ 100 dólares, sendo que o regime militar, olha ele ai de novo, havia determinado para inibir viagens ao exterior um depósito compulsório de, acreditem, US$ 1.000 dólares só para que eles permitissem a sua saída do país. Acabei mesmo, junto com alguns amigos, indo conhecer Saquarema e digo a vocês que foi uma experiência incrível. Bom! Mas isso é uma outra história! De lá pra cá, com muito trabalho e planejamento, realizei muitos desses meus sonhos de juventude, porém, minha opção acabou sendo por ficar aqui no Brasil, viver no meu país, acreditar, votar, pagar impostos, fazer o meu papel de cidadão, criar aqui minha família, meu filho e assim vem caminhando minha vida. No entanto, a cada ano que passa, a cada eleição, a cada escândalo, a cada assalto, a cada sequestro, a cada assassinato, dia após dia, cada vez mais frequentes e próximos a nós e nossos familiares, tenho pensado bastante em assim que possível ir morar fora do Brasil, só que dessa vez não é por conta de ondas perfeitas e sim por buscar segurança e um futuro melhor para o meu filho. Se você leitor chegou até aqui, se está comovido com o que ocorreu na França, preste bem atenção nesses dados e depois me diga, sinceramente, se vale a pena ficar por aqui e expor o futuro de seus filhos a esse risco. A insegurança é um dos principais problemas para um pai que acompanha o crescimento de seu filho no Brasil. De acordo com os dados do Mapa da Violência 2014, levantamento feito com base nas taxas mais atualizadas de homicídios em 100 países, o Brasil está em 7º lugar. Nosso país registrou em 2012 mais de 56 mil homicídios, ou seja, “154 MORTES POR DIA” estando atrás apenas de El Salvador, Guatemala, Trinidad e Tobago, Colômbia, Venezuela e Guadalupe. Para qualquer outro lugar do mundo aonde você for, incluindo todos os países da África, a sua chance de ser assassinado será menor. Pra piorar esse triste quadro, se formos ver a taxa de homicídios em adolescentes de 15 a 19 anos a coisa fica ainda pior, o Brasil ocupa o terceiro lugar com índice de 54,9 homicídios para cada 100 mil jovens. Tendo por base apenas esse aspecto, apenas o índice de homicídios, DE JOVENS ASSASSINADOS, eu diria já ser motivo suficiente para buscar um local mais seguro para viver, porém, infelizmente, sabemos muito bem de inúmeros outros perigos tais como, assaltos, sequestros, estupros, acidentes de trânsito, a lista é longa e a verdade é que a cada ano, infelizmente, a insegurança aumenta em nosso país. Além disso, como é possível acreditar num futuro melhor para essas novas gerações num país em que o povo brinca com seu voto elegendo candidatos do tipo “tiririca”, onde em São Paulo, alguém esquarteja o corpo de um motorista de ônibus e espalha partes dele pela cidade. No Rio, amarram um negro num poste e o espancam. Em Brasília, presos graúdos passam o tempo vendo jogos de futebol em tevês de plasma, enquanto a realidade das prisões são como depósitos degradantes de humanos. Em Belo Horizonte, hospitais públicos recusam atendimento a uma criança à beira da morte. No Nordeste, faltam professores, material, merenda, o dinheiro existe, é desviado e ninguém faz nada. Como é possível planejar um futuro melhor num pais com essa realidade e que, infelizmente, vem piorando ano após ano, eleição após eleição? Quem tiver uma outra solução diante dessa atual realidade brasileira por favor comente aqui, quero muito conseguir acreditar que tudo isso vai mudar, vai melhorar, mas tá difícil. Caso contrário, o último a sair, por favor apague a luz!

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SURFAMILY

Nesse último domingo, 17 de maio de 2015, a bancada de areia conhecida como Postinho, na praia da Barra da Tijuca/RJ, entrou definitivamente para história. Lá, milhares de pessoas estiveram reunidas festejando, felizes, com direito até a contagem regressiva, porém não se tratava de véspera de ano novo.  Essa mesma multidão, como que num enorme estádio a céu aberto, por diversas vezes explodia em gritos, assobios, palmas, lembrando muito uma emocionante final de futebol. No entanto, foi nesse cenário grandioso, em meio a mais de 40.000 pessoas, com transmissão on-line para o mundo todo e ao vivo tanto pela ESPN, como pela toda poderosa Rede Globo, que o surf brasileiro brilhou como em nenhum outro momento de sua historia.  E por falar em história, tendo eu quase 40 anos de surf e boa parte deles nas ondas de Ubatuba, terra natal do protagonista principal desse dia épico e que vem sendo narrado das mais diversas formas e nos mais variados veículos de mídia, tanto especializada, como de grandes massas, creio ser de extrema justiça abrir aqui um parêntese para falar um pouco das origens do campeão do Oi Rio Pro 2015, Filipe Toledo. A família Toledo ou “Surfamily” apelido adotado por eles nas redes sociais é uma família tradicional da Capital do Surf, como é conhecida Ubatuba. A paixão pelo esporte faz parte do DNA dessa família, o avô de Filipe, João Maria, foi o precursor das academias em Ubatuba e foi com ele, aos 5 anos de idade que João Ricardo de Castro Toledo, ou simplesmente Ricardinho, como é conhecido no meio do surf, começou a surfar nas ondas da Praia Grande, mesmo local onde anos depois ensinaria seus filhos Matheus, Filipe, Davi e a caçula Sofia a deslizar sobre as ondas. Da mesma forma que hoje vemos Ricardo sempre acompanhando o filho em todas as competições, sendo técnico, motorista, cozinheiro e tudo o mais que se fizer necessário, era assim com João Maria e o jovem Ricardinho, João sempre estava junto, sempre apoiando, orientando, puxando o grito da torcida na praia e botando pressão no palanque dos juízes quando cometiam alguma injustiça contra seu filho. Assistir essa vitória do Filipe em casa me fez voltar no tempo, voltar a 1985, ano em que eu trabalhava numa surfwear, que já não existe mais, chamada “Full Blast” e que na época patrocinava um garoto de 17 anos, grande promessa do surf de Ubatuba, foi assim que conheci Ricardinho, isso bem antes de existir a ABRASP, quando o Campeão Brasileiro era escolhido nos lendários Festivais Brasileiros de Surf, competindo contra mais de 200 inscritos de todo Brasil durante diversos dias de competição na praia de Itamambuca em Ubatuba. Nesse ano de 85, assim como no último domingo, a praia estava lotada, a torcida ao lado de João Maria e Dna. Maria Helena gritavam numa só voz o nome de Ricardinho e ele por sua vez, assim como Filipe, estava numa tarde inspirada surfando com radicalidade e energia de campeão, cada rasgada era comemorada como um gol e assim como no Postinho ninguém tinha dúvidas de qual seria o resultado. Aclamado pela multidão, carregado nos ombros pelos amigos, Ricardo Toledo escrevia seu nome pela primeira vez no seleto grupo dos campeões. Após esse dia mágico, ele ainda foi Campeão Brasileiro mais duas vezes, em 91 e 95, ano em que Filipe nasceu, porém, segundo ele: “ter conhecido Jesus foi a minha maior conquista. Depois disso, minha vida começou a mudar. Todos têm experiências boas e ruins, mas depois disso, as coisas começaram a ficar mais transparentes e a fluir com mais clareza e paz. Depois disso, vieram os filhos, no mesmo ano em que fui bicampeão brasileiro. Eu me casei e hoje tenho uma família abençoada por Deus”.  Como vocês puderam ler, a história se repetiu e com toda a experiência que Ricardinho têm a oferecer, aliada a uma mãe como Mari Toledo cuja dedicação, fé e amor, mantém a Surfamily com toda a paz e equilíbrio necessários para ser o porto seguro que qualquer filho precisa, não tenho dúvidas de que Filipinho, seus irmãos e sua irmã, ainda darão muito mais orgulho a sua família e ao surf brasileiro. É certo que Filipe Toledo tem um talento natural bem a cima da média, porém, sua trajetória no esporte foi construída nas categorias de base, foi vice-campeão paulista amador na categoria Petit com apenas 6 anos, campeão paulista em todas as categorias do circuito Petit, Estreante, Mirim e Júnior, venceu o circuito Rip Curl Grom Search, o campeonato brasileiro na categoria Junior e o ISA World Junior na categoria Sub-16, ou seja, antes de despontar para o mundo, seu talento foi lapidado em casa, em competições amadoras, circuitos municipais, estaduais, assim como seus atuais companheiros de tour. Digo isso, pois embora nossos atletas de elite estejam vivendo talvez o melhor momento da história, a base do surf brasileiro não vem recebendo a atenção e os investimentos necessários para que sejam lapidados novos Filipes. Que esse boom causado pela “Tempestade Brasileira” nos traga um belo arco-íris e que no final dele os donos do pote de ouro façam retornar ao surf um pouco da fortuna que estão ganhando explorando o nosso life style.

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Em tudo, ou quase tudo nessa vida, e isso só se aprende com o passar dos anos, sempre irá existir um lado positivo, uma lição, um caminho, uma resposta. Todas as nossas vivências, por piores e mais tristes que elas sejam, podem estar certos, um dia nos serão úteis para alguma coisa. No meu caso, em momentos de turbulência, procuro sempre refletir não só sobre aquele determinado fato, mas gosto de voltar o filme da vida, relembrar minhas origens, meus valores, minha história e só então, depois de buscar essa visão sobre o “conjunto da obra”, uma visão mais ampla até o momento presente, só então é que eu tento entender qual a verdadeira lição que a vida está procurando me ensinar dessa vez. Seguindo essa receita e tendo em mente que faz parte da nossa missão por aqui buscar o conhecimento e depois tentar compartilha-lo com os demais, dando a ele continuidade, geração pós geração, é que resolvi compor essa música (por enquanto só a letra) falando sobre o amor, a esperança e essa tal felicidade. Espero que gostem e quem sabe alguém me ajude com o arranjo.

Com vocês, ACREDITE!

Tá chegando um verão e eu agora sem pressão,
Sigo em busca da verdade e dessa tal felicidade,
Coração tem que tentar, pode errar ou acertar,
No respeito e na humildade, você tem acreditar.

Resultados são diversos, alguns mundos são inversos,
E hoje eu escrevo aqui em versos, acredite no amor,
Não se deixe enfraquecer, outro dia vai nascer,
E com ele novas ondas, um novo sol e novas chances.

Pra você não mais errar, ser feliz e acreditar,
Que na estação da liberdade, você vai virar sua página,
Quando o mar é mais azul, brilha o sol de norte a sul,
Ser feliz, amar, curtir, hoje já é realidade.

Deixo aqui essa lição, acredite na canção,
Use como inspiração e mude agora essa história,
Todo amor tem que cuidar, com carinho e respeitar,
É um caminho de ida e volta e existe basta acreditar.

Você tem que acreditar,
A tristeza vai passar.

Você tem que acreditar,
Vale a pena ainda amar.

Você tem que acreditar,
Não há hora nem lugar.

Você tem que acreditar,
O verão já vai chegar.

Você tem que acreditar!

 

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Parafraseando nosso querido Raul Seixas, quero começar esse texto lembrando que é preciso ter cultura pra conseguir cuspir na estrutura. Para entender melhor o que quero dizer com isso, vamos começar com um mini flashback, junho de 2013, milhares de pessoas saem às ruas e avenidas de São Paulo, lembro que as primeiras manifestações foram legítimas, trabalhadores, crianças, idosos, famílias inteiras clamaram por um Brasil melhor, tudo transcorreu em paz e o povo soube dar um grande exemplo do que é o exercício da cidadania, eu fui, estava lá, tanto no Largo da Batata, como na Avenida Paulista, assim como caminhei da Praça da Sé até o Anhangabaú no histórico comício das diretas em 84 e pintei a cara pra pedir a renuncia do Collor em 92. Ta certo que não sou nenhum sociólogo, antropólogo, ou algo do gênero, nem tenho conhecimentos teóricos pra analisar manifestações sociais, acho que muito pelo contrário, sou apenas um advogado/surfista, ou seria surfista/advogado, mas como já estou com quase 50 anos nessa história, muito bem vividos por sinal e sou um cara curioso e observador, acredito que isso me credencia para pelo menos tentar colocar aqui a minha visão sobre essa coisa de boicotar a copa, ser contra a copa, manifestações durante a copa e outras bobagens que tenho visto quase que diariamente na impressa, nas redes sociais e até na padaria do português. Assim, voltando só mais um pouco ao mini flashback, a partir do segundo semestre de 2013, quando políticos, sindicalistas e governo se viram na parede com as manifestações, apareceram na história os tais “black blocs” e com eles a violência, o confronto, quebra-quebra, saques, carros e ônibus incendiados, ou seja, o clima mudou totalmente e com essa mudança, pra alegria daqueles que não sabiam como conter a voz do povo, acredito não precisar repetir aqui quem são, os trabalhadores, as crianças, os idosos e aquelas famílias inteiras que clamaram por um Brasil melhor tiveram que voltar pra suas casas e se calar diante do medo, do terror e do caos organizado por um punhado de mascarados cujo intuito é chamar a atenção pra sua oposição ao que consideram símbolos do capitalismo, as corporações multinacionais e aos governos que as apóiam. Sei que é revoltante ler nos jornais que a FIFA vai lucrar R$ 4 bilhões com a copa sem colocar um tostão no Brasil e que segundo o jornal espanhol El Pais a Copa de 2014 será a campeã de gastos em estádios, mais que o dobro do mundial da Alemanha (2006) onde foram gastos R$ 3,6 bilhões de reais para um mesmo número de estádios, sendo que aqui, dos R$ 8 bilhões investidos, apenas R$ 133,2 milhões não envolvem os cofres públicos. Causa indignação saber que no último ranking da consultoria Bloomberg sobre a eficiência dos sistemas de saúde, feito com base em dados oficiais do Banco Mundial, FMI (Fundo Monetário Internacional) e OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil ocupa a última colocação, isso mesmo, a última colocação atrás do Peru, da Venezuela, República Dominicana, Argélia, Irã e Romênia. Na mesma linha, é extremamente preocupante saber que numa outra lista, essa sobre a qualidade dos serviços educacionais, elaborada pela empresa Pearson, ligada ao jornal britânico Financial Times e a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), estamos em antepenúltimo lugar atrás de nações como Colômbia, Tailândia e México. Realmente tudo isso é um absurdo e desperta no cidadão de bem tudo quanto é sentimento ruim, raiva, revolta, indignação e até, talvez um dos piores, a descrença, achar que é impossível mudar, que é assim e pronto, que não temos o que fazer. Eu não penso assim, acredito que é possível mudar, que o regime democrático nos possibilita isso e que existem pessoas honestas e bem intencionadas inclusive na política, porém, pra que isso ocorra é preciso saber como e quando protestar, como disse no início é preciso ter cultura pra conseguir cuspir na estrutura. Agir como se tivéssemos acabado de descobrir que existe corrupção, boicotar uma das maiores alegrias do povo brasileiro por conta de obras superfaturadas e políticos corruptos, seria a mesma coisa que não usar mais a marginal, os túneis, ou o minhocão por conta do Maluf, ou abrir mão da justiça trabalhista em protesto ao juiz Lalau, é uma enorme burrice, é prejudicar o povo, é ir contra o Brasil, é mostrar ao mundo um problema que tem que ser resolvido em casa. Resumindo, apoiar qualquer que seja a manifestação contra a copa não vai mudar em nada as roubalheiras, a corrupção e tudo de errado que aconteceu nos últimos sete anos. O que é preciso fazer e o momento certo para manifestações como as de junho de 2013, para protestos como nas diretas já e para reivindicações como o impeachment do Collor, É VOTAR COM CONSCIÊNCIA NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, só assim poderemos mudar o Brasil, só assim conseguiremos enfrentar esse mar de corrupção. Pense nisso, aproveite a festa e comece desde já a escolher seus candidatos para as eleições! Mas agora, bora torcer, VAI BRASIL!!!

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postinhooo

Quem assistiu o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989), com toda a certeza vai se lembrar do professor John Keating (personagem de Robin Williams) insistindo com seus alunos: “Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? – Carpe – ouve? – Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.” Para quem não assistiu, Carpe Diem significa em latim “colha o dia” ou “aproveite o momento”. De onde vem isso? Não… não é um provérbio popular. Bem pelo contrário. Faz parte de um poema do romano Horácio (65-8 A.C.) chamado “Odes” (I, 11.8), onde podemos ler: “Carpe diem quam minimum credula postero” (colha o dia, confia o mínimo no amanhã). Também é utilizado como um conselho para evitar que se gaste o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro. E isso encontramos na poesia inglesa dos séculos XVI e XVII. Um exemplo é o livro de Robert Herrick, “To the Virgins”, na poesia “to Make Much of Time” (para aproveitar o tempo ao máximo), que começa com: “Gather ye rosebuds while ye may” (Colha seus botões de rosa enquanto podes). Essa expressão rodou o mundo. Um poeta chinês, da dinastia Tang, conhecedor de provérbios bastante parecidos com o que escreveu Herrick, tinha um pensamento bem semelhante: (Colha a flor quando florescer; não espere até não haver mais flores, só galhos a serem quebrados). Então… Colham o dia como se fosse sua última onda das férias, a saideira, aquela até a areia, com o sol se pondo e aquele céu que vai do alaranjado, ao azul escuro. A vida não pode ser economizada, amanhã o mar pode estar flat, você pode estar de terno e gravata no escritório, o tempo fechado, chuva, frio. Nossa vida acontece agora, nesse instante, sempre no presente. CARPE DIEM!!

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woohoo

Depois de uma trajetória de mais de 30 anos de militância no segmento dos esportes de ação e cultura jovem, Antonio Ricardo e Ricardo Bocão lançaram em 2006 com uma distribuição modesta, a partir de operadoras de pequeno porte, o Canal Woohoo. A dupla, criadores e realizadores do saudoso e revolucionário programa Realce (1983-1990), atração pioneira na exibição do surfe, skate e todas as modalidades dos esportes de ação na TV, somados a muita música e comportamento jovem, seguiram produzindo conteúdo de qualidade até o projeto do canal ganhar corpo.

A partir do Realce, que ia ao ar todos os sábados no final da tarde, surgiu o Vibração, uma atração diária que dava vazão à grande quantidade de material produzido pela dupla e sua equipe, depois na sequência veio o Ombak (1991-1992) na MTV Brasil, uma revista eletrônica ágil e vibrante, que tratava dos mesmos temas do Realce, mas com uma estética mais contemporânea, sendo, inclusive, embrião do MTV Sports na matriz da emissora. Na sequencia, os dois e seus fiéis escudeiros partiram para uma longa e rica parceria com o canal SPORTV da Globosat (1994-2005), onde foram produzidas dezenas de atrações focadas nos esportes de ação e no estilo de vida de seus praticantes. Entre elas vale destacar o Rip, mais um filhote modernizado do Realce, o telejornal Extra, a cobertura do Circuito Mundial de Surfe e a série documental Histórias do Surfe Brasileiro, chegando à expressiva marca de mais 5.000 programas produzidos em 22 anos de atuação.

O primeiro desenho do que hoje conhecemos como o Woohoo foi feito em 1996 e o sonho, perseguido desde 2000, virou realidade somente em maio de 2006. A idéia surgiu depois de alguns anos assistindo TV por assinatura na Europa e nos EUA e o início da TV paga no Brasil. O projeto inicial tinha 20 páginas e foi considerado “um pouco à frente do seu tempo” por alguns especialistas do segmento. Não havia “espaço na prateleira”, segundo comentários na época, pois a TV paga ainda engatinhava no Brasil. Sem abandonar a idéia, o projeto foi negociado durante oito meses, entre 1999 e 2000, com a Direct TV para lançar o Woohoo para toda a América Latina em português e espanhol. Mas foi somente em 2004/2005, com o crescimento do mercado de telefonia, internet e tv por assinatura, que os investimentos retornaram ao mercado e no dia 22 de Maio de 2006 o canal foi ao ar pela primeira vez.

Depois de toda uma história produzindo conteúdo para outras emissoras, a dupla e sua equipe, tiveram pela frente o desafio de preencher 24 horas de programação, nos 7 dias da semana, assim nasceram atrações como o telejornal Woohoo News, vitrine para os principais eventos dos esportes de ação e seus derivados; o Papo Reto, onde estrelas do universo no qual o Woohoo está inserido soltam o verbo, o Surfe Clube, uma revista eletrônica 100% dedicada ao esporte dos antigos reis da Polinésia, o Disaster, focado na mais urbana e revolucionária modalidade dos esportes de ação, o skate e o Moovies, onde o cinema comercial encontra o alternativo. Isso sem falar nas atrações comandadas pelos correspondentes internacionais do canal. Do Havaí, Bruno Lemos apresenta o Kaunala Road e da Indonésia, Darcy Guimarães é o homem por trás do Indo Connection. E entre os mais de 30 programas dos mais variados formatos e conceitos não dá para esquecer do Rai Eite Sem Tripé, onde o ícone do surfe nacional Fabio “Fabuloso” Gouveia exibe todo seu carisma e irreverência.

Com a chegada na NET, SKY e GVT, o Woohoo consolida definitivamente a sua posição de canal de comportamento jovem e esportes de ação, pioneiro na América Latina, sempre antecipando tendências e formando opinião. Um canal feito por quem, e para quem, vive, ama e é fissurado por surf, skate, snowboard, bmx, wake, bodyboard e tudo que compõe esse universo jovem e vibrante. Isso faz a diferença no conteúdo do Woohoo. O Woohoo pode ser visto nos canais: NET – canal 65; SKY – canal 31; OI TV – canal 115; CLARO TV – canal 52; VIVO TV – canal 19; GVT – canal 56. Saiba mais aqui: http://www.woohoo.com.br/

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POSTINHO

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

Complementando a frase acima do escritor e jornalista George Orwell, criador da expressão “big brother” em seu livro “1984”, lembro um ditado popular que diz “o verdadeiro amigo é aquele que fala o que precisamos ouvir, não o que gostaríamos” para estes outros, damos nomes como “puxa saco”, “baba ovo” ou “paga pau”.

Pois é, confesso que andei pensando muito sobre escrever ou não algumas linhas sobre uma reflexão que fiz quando peguei o avião voltando para casa direto das areias do Postinho, palco da quarta etapa do WCT 2014, o Billabong Rio Pro. Na verdade, acredito que não fui só eu a refletir sobre isso, mas tem muita gente boa preocupada com o futuro do surf profissional e as mudanças pelas quais a ASP está passando e aparentemente irá passar, após ser adquirida pela ZoSea Media Holdings, do ex-membro do conselho da Quiksilver, Paul Speaker, atual CEO da ASP, pelo agente do Kelly Slater, Terry Hardy, e por um casal de bilionários da Florida, Dirk e Natasha Ziff, agora membros da diretoria da entidade.

O tema é polêmico, ainda existe muita falta de informação e com ela, consequentemente, um sem número de teorias e conclusões precipitadas acerca de assuntos que a meu ver ainda estão numa fase de testes. Um bom exemplo disso foi o protesto contra a tentativa de implantação de novas regras de direitos autorais, encabeçado pelo fotógrafo australiano Peter “Joli” Wilson, onde restou demonstrada não só a flexibilidade da ASP diante dos reclamos da imprensa, como também a falta de um maior estudo por parte dessa nova direção com relação a alguns assuntos.

Na minha visão, por mais que o surf para crescer necessite do apoio de outras mídias e patrocinadores, por mais que esses novos parceiros estejam buscando atingir um público maior e captar recursos fora do que nós, surfistas, entendemos por universo surf, nosso esporte, para existir, jamais poderá abrir mão de suas raízes e daquilo que o diferencia de muitos outros.

Caso contrário, se com essas mudanças de reengenharia, planejamento estratégico, “downsizing”, “benchmarking”, ou sei lá qual é a mágica da vez, na verdade apenas truques do velho capitalismo selvagem, se o surf não abrir os olhos e acabar se descaracterizando, se tornando o que não é, um híbrido de golfe, com tênis e discurso de formula um, pode acabar perdendo sua identidade, seus parceiros históricos e finalmente seu verdadeiro público, restando uma “massa de gente” que a qualquer instante pode migrar para o próximo esporte da moda e com ela seus “grandes parceiros” que irão largar a laranja assim que ela não tiver mais suco.

Feita a reflexão, vamos ao campeonato, o Billabong Rio Pro 2014 foi decidido nos detalhes, na estratégia, no condicionamento físico e até numa boa dose de sorte. Quem olhar as imagens vai achar que rolaram altas ondas, porém não foi bem assim, as ondas do Postinho estavam difíceis, imprevisíveis, com uma correnteza forte e um vento que mais atrapalhava que ajudava. Sally e Bourez mereceram a vitória, fora eles, como destaques positivos, gostei muito do surf apresentado pelo Kolohe, pelo David do Carmo e voltei encantado pela australiana Nikki Van Dijk.

Esse ano, a área VIP dobrou de tamanho, o credenciamento de impressa foi reduzido, construíram uma enorme arquibancada para o público, um espaço de interação da Samsung, além de show gratuito do Donavon Frankenreiter na praia, num palco montado ao lado do palanque.

Agora Slater é o novo líder seguido por Parko e Taj, com duas vitórias em quatro eventos Michel Bourez vem na quarta posição e Medina, o melhor brasileiro do circuito, caiu de primeiro para quinto, seguido de perto por Mineirinho em sexto. A próxima etapa ocorrerá de 01 a 13 de junho em Tavarua, Ilhas Fiji.

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