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Tudo é loucura ou sonho no começo, nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.

(Monteiro Lobato – Mundo da Lua – 1923)

Creio que por mais visionárias que fossem as mentes de Monteiro Lobato, Santos Dumont, ou qualquer outro estudioso do futuro do século 20, eles jamais imaginariam que logo no início do século seguinte, o maior varejista do mundo, o Alibaba, não possuiria nenhum produto em seu estoque, que a maior empresa de reserva de hospedagens do planeta, o Airbnb, não teria um único imóvel, ou que a maior empresa de mídia da atualidade, o Facebook, não produziria nenhum tipo conteúdo próprio. Pois é, até para mim que estou vivendo todas essas transformações, isso às vezes é meio surreal. E por falar em coisas surreais, em Facebook e futurologia, foi numa reportagem sobre a rede social de Mark Zuckerberg, criada em 2004, que escutei pela primeira vez a palavra “Petabyte” e resolvi então pesquisar sobre o assunto. Encontrei que o “Petabyte” é um múltiplo da unidade de informação byte indicando a quinta (peta) potência de 1.000, ou seja, 1.000.000.000.000.000 bytes (se perdeu as contas, são 15 zeros), em medidas digamos “atuais” é o equivalente a 1.000 Terabytes. Se vocês ficaram curiosos pra saber o que vêm depois, eu também fiquei então ai vai: depois dos “Petabytes” virão os “Exabytes”, os “Zettabytes” e os “Yottabytes”, a seguir ao que parece ainda não existem definições “oficiais”, mas dizem por ai que a sequencia será: Brontobytes, Geopbytes, Saganbytes, Pijabytes, Alphabytes, Kryatbytes, Amosbytes, Pectrolbytes, Bolgerbytes, Sambobytes, Quesabytes, Kinsabytes, Rutherbytes, Dumbnibytes, Seaborgbyttes, Bohrbytes, Hassiubytes, Meitnerbytes, Dormstadbytes até os “Teoentbytes” que pela minha pesquisa foi o maior múltiplo de byte que eu encontrei. Pois é, a tecnologia está crescendo em proporções e velocidade inimagináveis e com ela, cada vez mais, o mundo está se transformando num ambiente mais fácil e compreensível aos nativos digitais e terrivelmente complicado e hostil para aqueles com dificuldades em se adaptar a esses novos tempos. Essa “troca de guarda” está acontecendo a passos largos e me sinto um privilegiado em poder vivenciar intensamente todo esse processo de perto, tanto auxiliando nas dificuldades dos meus pais octogenários, como aprendendo com meu filho adolescente (hoje com 15 anos) e que a muito já nada com braçadas largas em todo esse gigantesco mar de novidades tecnológicas. Além disso, profissionalmente, venho participando ativamente já a algumas décadas de inúmeros projetos e iniciativas de transformação e desenvolvimento tecnológico dentro do universo jurídico onde atuo. E falando em transformação, estudos apontam que 47% dos empregos que hoje conhecemos irão desaparecer nos próximos 25 anos e que até 2030, aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, talvez a profissão do seu filho ainda não tenha sido criada. E esse “fenômeno” não se trata de algo inédito na história da humanidade. Basta lembrarmos a Revolução Industrial e suas consequências. Muitas profissões foram extintas, outras tantas sofreram impactos em maior ou menor grau, mas também muitas novas profissões e oportunidades surgiram concomitantemente. E nem precisamos ir tão longe, voltando à mesma linha do que estava escrevendo lá no início desse texto, a Netflix faliu as locadoras, o Spotify acabou com os CDs, o Uber já é o pesadelo dos taxistas, o Waze aposentou o GPS e por ai vai, você já se imaginou sem seu WhatsApp? As mudanças estão acontecendo a todo o instante e cada vez mais rápido, a Google e a Tesla, dentre outras empresas, já têm protótipos de carros autônomos que podem dirigir por longas distâncias com muita segurança e eficiência, o resultado disso será que em breve não teremos mais motoristas de caminhão e na sequência com certeza surgirão táxis automatizados, veículos de transporte público autônomos e porque não aviões sem pilotos humanos, afinal, no Japão já existem lojas usando robôs humanoides como atendentes, a Marinha dos EUA está testando robôs em seus navios e a Microsoft para vigiar seu campus na Califórnia. Aproveitando essa janela que estamos abrindo para o futuro, quanto tempo vocês acham que irá demorar até que as impressoras 3D fiquem mais acessíveis e presentes em nosso dia a dia? Quanto tempo falta para que possamos produzir quase tudo o que quisermos em casa, com um custo baixíssimo e em muito menos tempo? Por exemplo, imaginem podermos criar roupas com a mesma facilidade como fazemos hoje com e-books, músicas e filmes. Ou então, utilizarmos nossas células tronco como matéria prima para que impressoras medicinais produzam novos órgãos ou partes defeituosas dos nossos corpos, tratando doenças juntamente com a nanotecnologia antes que elas se manifestem em nossos organismos. Atualmente, muitos algoritmos já nem estão sendo mais escritos por seres humanos, os mais avançados já estão sendo desenvolvidos por outros algoritmos, ou seja, pelas próprias máquinas através de técnicas de inteligência artificial. E por falar em inteligência artificial, muitos dizem que não está longe o dia em que ela irá ultrapassar a inteligência dos seres humanos e nesse momento, com minhas desculpas àqueles que sustentam previsões apocalípticas do tipo: “as máquinas vão dominar o mundo e acabar com a humanidade”, prefiro pensar, por exemplo, numa união entre seres humanos e robôs, tanto digitalmente, quanto fisicamente, tratando, operando e salvando vidas em qualquer lugar do mundo com muito mais eficiência e precisão. Nessa mesma linha de raciocínio, com a evolução do projeto genoma, a medicina preditiva, uma espécie de medicina genética preventiva, ficará cada vez mais evoluída e acessível transformando e revolucionando ano após ano os cuidados com a saúde. Logo logo será super comum realizar diagnósticos precoces de doenças através de dispositivos portáteis e porque não até sequenciamentos gratuitos de DNA. Esses avanços para o nosso bem estar físico são sensacionais, porém, acredito que também tenha muito a ser desenvolvido em tecnologias que nos ajudem com nossa saúde mental, afinal, dados recentes da Organização Mundial de Saúde indicam que a depressão, a ansiedade e a exaustão mental estão entre os principais males do século 21 atingindo cerca de meio bilhão de pessoas pelo mundo. Diante disso e considerando que muitos cientistas já afirmam que nos próximos dez anos teremos uma transição gradativa da internet como conhecemos para o que está sendo chamado “brain-net” algo como uma conexão direta entre nossos cérebros e computadores, permitindo transmissões instantâneas de nossos pensamentos, emoções, sentimentos e memórias para qualquer lugar do planeta, revolucionando assim tudo o que conhecemos hoje em áreas como comunicação e entretenimento, além de proporcionar profundos avanços na área médica com novos tratamentos e cuidados preventivos envolvendo a saúde mental da população. Pois é meus amigos e amigas, não temos como negar que uma Terceira Revolução Industrial está para acontecer, se é que já não está em curso e com certeza esse processo irá mudar definitivamente o mundo como conhecemos, assim, para que eu consiga terminar por aqui esse texto, pois a amplitude do tema somada a minha curiosidade daria pra escrever um livro sobre esses assuntos, quero deixar vocês com uma reflexão acerca de uma fusão que está para acontecer nos próximos anos, algo como uma conexão entre a tecnologia da internet e as energias renováveis. Dessa união surgirá uma nova e poderosa infraestrutura, algo como uma “internet de energia” assim como nos dias de hoje geramos e compartilhamos informações online, só que com milhões de pessoas produzindo e distribuindo sua própria energia feita em casa, no escritório, nas fábricas, etc, democratizando assim a demanda energética mundial, com impactos em todas as relações humanas, desde a maneira como conduzir os negócios e governar a sociedade, até a forma de educar nossos filhos. Essas mudanças irão dar à luz a um sistema econômico híbrido, composto pela economia de troca do mercado capitalista, com uma economia de compartilhamento de bens comuns colaborativos e tudo isso funcionando tendo como lastro a próxima geração de Bitcoins que irá substituir o dinheiro, criando assim um novo paradigma para o comércio e os negócios nessa nova economia. Terminando como comecei, pode parecer loucura, pode parecer sonho, mas algum de vocês ainda duvida que boa parte do que escrevi irá acontecer em breve?

 

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Aloha Galera! Que temporada está sendo essa de 2017? Que etapa foi essa de J-Bay? Que performance foi essa do Filipinho? Estamos na metade do circuito, seis etapas e seis vencedores diferentes. A bancada de J-Bay estava épica proporcionando ondas perfeitas e um recorde histórico de notas 10. E o que dizer do Filipe, do nível que ele atingiu em seu surf performance, seu desempenho tornou realidade o que até então era possível apenas em videogames. Como Renato Hickel costuma brincar: “- Quê qué issu Perivaldo??”. Acompanho o surf competição já faz muitos anos e lembro-me de poucos momentos assim tão marcantes no sentido de superação de limites, do cara surpreender a todos e fazer o impossível, essa onda do Filipe, que pra muitos está sendo considerada nota 15, com dois alley-oops, seguidos de cut back, rasgadas e um floater no critico pra finalizar, foi algo como Tom Carroll no Pipemasters de 91 com seu lendário “snap heard round the world” feitos inéditos e únicos na história do Tour. Não tenho dúvidas de que Filipinho entrou pra história e agora mais do que nunca, conforme, aliás, já tinha cantado a bola por aqui no PDT – BELLS, ele embora na 7ª colocação e tendo pela frente a etapa do Tahiti, sem dúvida uma das mais desafiadoras para o seu surf, tem nas etapas seguintes Trestles (foi 3º em 2015), Hossegor (foi 3º em 2013) e Peniche (venceu em 2015) totais condições de obter bons resultados, indo para o Hawaii no final do ano como um dos candidatos ao título em Pipeline. Porééém… Essa briga não será nada fácil, o tour 2017 está sendo um dos mais disputados dos últimos anos e ao que parece ficará a cada etapa mais emocionante. No topo da tabela Wilko (31.950 pts) mesmo com sua base estilo “Siri Cascudo” vem se mostrando eficiente e seguindo a risca as orientações de seu excelente técnico Glenn “Micro” Hall, que está fazendo o cara surfar exatamente dentro dos critérios que os juízes querem ver. Logo atrás, tecnicamente empatados e cada um com uma vitória, temos John John (31.700 pts – 1º em Margaret), Jordy (31.350 pts – 1º em Bells) e Owen (30.150 pts – 1º na Gold Coast), os três nunca estiveram tão preparados e todos, cada um com sua particularidade, vivendo momentos especiais em suas carreiras. O próximo na lista, pra mim o melhor competidor do Tour, nosso “Capitão Nascimento” Adriano de Souza (27.900 pts – 1º no Rio) jamais pode ser descartado, principalmente nesse ano com sua pré-temporada no Hawaii coroada com o 2º lugar no Volcom Pipe Pro, depois chegando as quartas tanto em Bells, quanto em Margaret, seguido de um 3º no QS de Keramas em Bali e então sua vitória incontestável, passando todas as baterias invicto, vencendo tudo e todos em Saquarema. Pra fechar os Top 10, nesse ano onde todos estão no páreo, não podemos menosprezar os campeões mundiais Parko (6º com 24.400 pts) e Medina (9º com 21.000 pts), ou seja, até agora nada está definido, pelo menos no que diz respeito a quem será o Campeão Mundial de 2017. No entanto, algo me diz que J-Bay 2017 foi decisivo para a definição da aposentadoria do maior surfista de todos os tempos. Aos 45 anos, com 11 títulos mundiais e uma coleção de recordes e feitos sem precedentes, arrisco dizer que Slater, que acabou se machucando (fraturou dois ossos do pé direito) durante uma sessão de freesurf, ficando fora da competição, da briga pelo título e das próximas etapas, bem como, que no início do ano já havia declarado que 2017 seria seu último ano de participação integral no tour, a partir de agora, não irá desperdiçar essa oportunidade pra sair de cena ainda por cima e por conta de sucessivas lesões, podendo se dedicar aos seus negócios, ao freesurf com os amigos e quando as previsões estiverem boas, porque não, algumas participações especiais em etapas do tour como convidado. Por fim, conforme minhas previsões aqui logo no começo da temporada no PDT – GOLD COAST, já temos confirmado um novo brasileiro no World Tour 2018, o guarujaense Jessé Mendes é o atual líder absoluto do Qualifying Series com 22.060 pontos, estando matematicamente garantido para disputar a elite do surf mundial no ano que vem. Atualmente, ele está à frente 10.000 pontos dos 2º e 3º colocados, respectivamente Willian “Panda” Cardoso (12.095 pts) e Yago Dora (11.960 pts) e depois de sete anos na disputa enfim chegou sua vez. Com dois 1º lugares (Australian Open of Surfing e Ichinomiya Chiba Open) e uma 2º colocação (Toyota Pro de Newcastle) em eventos QS 6.000, bem como um 5º no disputadíssimo Ballito Pro evento QS 10.000 vencido por Jordy Smith, o novo reforço da Brazilian Storm chega ao circuito como uma das maiores promessas dos últimos anos, sendo minha aposta desde já para ser Rookie of The Year de 2018. É isso ae, por hoje é só, forte abraço a todos e até Teahupoo!

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Bula! Terminou nessa quarta-feira véspera de feriadão o primeiro Outerknown Fiji Pro, um campeonato que tinha tudo pra ser épico e definir quais seriam os principais candidatos ao título de 2017, só que na minha visão, acabou sendo meio que um QS de luxo, principalmente depois do round #03 que rolou em ondas pequenas e sem tubos, deixando pelo caminho Owen, Medina, Fanning, John John, Jordy, Slater e Adriano, fazendo assim, embolar ainda mais as disputas pelas primeiras colocações no ranking da WSL. Se após a etapa do Brasil tínhamos quatro surfistas empatados na liderança, com sua vitória em Fiji o controvertido e para muitos “desacreditado” Matt Wilkinson assumiu a lycra amarela e a liderança do grupo da frente. Agora, os cinco primeiros do ranking Wilko, John John, Jordy, Adriano e Owen estão tecnicamente empatados nos 26.000 pontos, sendo que também podemos dizer que estão na disputa Parko, O’Leary, Julian, Kolohe e Zietz por estarem a uma vitória de distância, ou seja, 10.000 pontos e não bastasse isso, na sequência e bem perto estão nomes que jamais podemos descartar como Medina, Bourez, Fanning e Filipinho, todos na casa dos 14.000 pontos. Agora é aguardar o bicho pegar e que seja só com os surfistas, nada de tubarões, entre os dias 12 e 23 de julho nas geladas e perfeitas direitas do Corona Open J-Bay. Beijos e Abraços pra Geral, Keep Surfing, Mahalo, Paz!

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Aloha Galera! Podemos dizer que Saquarema “embolou de vez” a corrida pelo título 2017. Agora, John John, Owen, Jordy e Adriano estão empatados tecnicamente com uma diferença de apenas 350 pontos. Em seu novo palco, na minha humilde opinião “o melhor local do Brasil pra se fazer um campeonato de surf” a etapa brasileira do World Tour além de altas ondas, revelou ao grande público o jovem Yago Dora de apenas 19 anos, que já era ídolo no free surf e agora desponta como novo integrante do time Brazilian Storm, por outro lado e infelizmente, tivemos mais uma decisão polêmica de julgamento prejudicando dessa vez Filipe Toledo, que não se conteve, protestou e acabou suspenso da etapa de Fiji e por fim, tivemos a consolidação de todo o talento e dedicação de Adriano de Souza que venceu o campeonato invicto e de forma indiscutível, com performances arrasadoras em todas as suas baterias, obtendo a maior nota (9.83) e a maior média (18.50) do evento durante as quartas de final contra Joel Parkinson. Outro fator importante nesse cenário e que cada vez mais vem se mostrando como fundamental na preparação e acompanhamento dos atletas de ponta é a atuação dos técnicos, aja visto os resultados e principalmente o desempenho técnico nas baterias dos atletas treinados por Glenn “Micro” Hall (Tyler e Owen Wright, Ace Buchan e Matt Wilkinson) e Leandro “Grilo” Dora (Yago Dora e Adriano de Souza). Pra fechar essa coluna, merece destaque também a ausência Slater que provavelmente já deve estar treinando em Fiji, próxima etapa do Tour e que terá sua marca “Outerknown” como patrocinadora do evento, bem como mais uma performance longe do esperado, isso pra quem quer ser campeão mundial, por parte de Gabriel Medina, o qual após começar bem na Gold Coast com um terceiro lugar, foi eliminado no round 2 em Margaret, no round 3 em Bells e agora perdeu no último segundo no round 5 numa batalha emocionante contra Yago Dora. Agora é esperar por fortes emoções na tradicional batalha entre as ilhas de “Namotu” onde ficam hospedados os brasileiros e “Tavarua” onde ficam os gringos. Forte abraço a todos, até Fiji!

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Aloha Galera! Mesmo com excelentes ondas, campeonatos com organização impecável e com “estrangeiros” vencendo dois dos três eventos, infelizmente, a elite do surf mundial deverá perder o sensacional Drug Aware Margaret River Pro em 2018, o motivo, além do aspecto financeiro, seria que os atuais “donos do jogo” acham que três etapas favorecem demais os australianos e como venho falando aqui já faz um bom tempo, o Dirk Ziff’s Crew, leia-se atual comando da WSL, quer a qualquer custo que os protagonistas do Championship Tour sejam Yankees, ou seja, embora eles nunca venham admitir, essa história de Brazilian Storm ou Aussie Young Guns não interessa nem um pouco aos atuais mandatários do maior circuito de surf competição do planeta, eles querem ser os mocinhos, os heróis, assim como em suas produções de Hollywood. Bom! Melhor parar esse assunto por aqui e polêmicas a parte, vamos falar de Bells. Enfim deu Jordy! E pra quem achava que o título desse ano já estava garantido para John John, nesses eu me incluo, com essa vitória o gigante sul-africano mostrou que está na briga, ele não só apresentou um surf de altíssimo nível, como competiu com o livro de regras debaixo do braço surfando sempre dentro dos critérios que os juízes queriam ver. A muito que torço pelo Jordy, a qualidade de seu surf sempre foi indiscutível e o que lhe faltava talvez fosse um pouco mais de determinação em vencer, um pouco de paciência, de fazer o que é preciso pra passar a bateria e que muitas vezes não é o que faz a praia toda vibrar, o aéreo mais alto, o tubo mais insano, a maturidade parece ter trazido essa consciência de que as vezes para cumprir o dever de casa é necessário fazer o arroz com feijão ao invés de dar show. Gostei muito da declaração dele após enfim badalar o tão cobiçado sino de campeão: “Eu venho tentando ganhar este campeonato há 10 anos e conseguir agora é um sentimento incrível, um grande sonho se tornando realidade para mim. Depois de alguns anos sofrendo com lesões, sinto que as peças do quebra-cabeça estão se encaixando este ano. Minha esposa e minha família estão comigo e não poderia conseguir nada disso sem o apoio deles”. Outros dois caras que pra mim também estão na briga e que parecem estar com essa mesma pegada, ambos atravessando momentos em que a maturidade aliada ao equilíbrio familiar e profissional estão fazendo a diferença no foco e equilíbrio dentro das baterias são Owen Wright e Adriano de Souza. Por fim e não menos importante, quero escrever algumas linhas falando sobre Filipe Toledo, sim, todos sabem da minha admiração e torcida pelo Filipinho, isso não é novidade pra ninguém que acompanha minhas colunas, porém e já desafiando os críticos sempre de plantão, mesmo com o que escrevi sobre Jordy, Owen e Adriano, com John John quebrando tudo e sendo nesse momento o grande favorito ao título, além de Medina e Fanning que mesmo aparentemente fora da briga serão sempre favoritos, quero que vocês anotem ai: #77 TOLEDO como minha aposta para ser o Campeão Mundial de 2018. Com seu 3º lugar num dos maiores mares da história em Margaret, com Slater, Medina e Fanning não passando nem do round 03 e agora esse 5º em Bells (diga-se de passagem, pela terceira vez 2013, 2015 e 2017) vencendo de forma inquestionável o três vezes campeão do evento e especialista no pico Joel Parkinson, em ondas grandes e com manobras de borda, creio que não há o que se falar mais sobre a coragem, habilidade e preparo do Filipe em ondas com tamanho e pressão. Agora é aguardar os próximos capítulos começando por Saquarema, pra mim a melhor onda do Brasil, onde Wilko (2012) e Guigui (2014) já venceram. Forte abraço a todos, agora é em casa!

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Aloha Galera! Parafraseando a lenda do radio esportivo Fiori Gigliotti: “Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo em Margaret River!”. O Drug Aware Pro 2017 no selvagem oeste australiano foi sem dúvida um campeonato para entrar na história, não só pelo mar épico que rolou no sábado (01/04) com ondas de 15 pés em Main Break, mas principalmente pela altíssima performance e o show de surf apresentado por John John Florence. O Príncipe do Hawaii e sucessor de Andy Irons, depois de sagrar-se campeão mundial no ano passado (2016), vem mostrando que seu surf continua em constante evolução, elevando os limites do esporte para um patamar cada vez mais próximo da perfeição. Prova disso foram suas médias durante o evento: 19.27 no terceiro round, 19.16 no quarto round, 18.04 nas quartas, 19.27 na semi e 19.03 na final. Sua superioridade foi tão grande, que o único adversário que ele não deixou em combinação foi Michel Bourez nas quartas, mesmo assim o Spartan ficou precisando de 9.28 para vencer. Caberia aqui até escrever algo sobre outros fatos que marcaram esses dias em Magaret, como a escolha errada de prancha do Medina no segundo round, que acabou lhe custando uma derrota para o desconhecido Jacob Willcox e sua saída prematura da competição, ou então a inusitada paralisação da semi final entre Filipe e Kolohe por conta de um cardume de salmões e falando em Filipinho, vale destacar seu terceiro lugar no evento, demonstrando em ondas enormes toda qualidade e radicalidade do seu surf, esbanjando manobras de borda, muita pressão, comprometimento, coragem e sem nenhum aéreo (isso vale para os críticos). Porém, falar de Magaret 2017 é falar de John John, é falar de um outro nível de surf, falar do futuro do esporte, não que outros integrantes do tour não tenham feito manobras e até baterias nesse nível, mas o que surpreendeu a todos foi a regularidade que ele mostrou durante todo o evento, foi o altíssimo nível em todas as baterias, pra não dizer em todas as ondas. As dificuldades nas ondas de Main Break eram evidentes pra todos menos quando Florence entrava no mar, o surfista da lycra número 12 tornava tudo fácil e divertido. Por sinal, essa sensação de “ser fácil” a mesma de quando assistimos Neymar driblar, ou Federer rebater, sempre fez parte do estilo de John John sendo fruto de seu talento natural incontestável, agora, o que vem ocorrendo desde o ano passado, diga-se de passagem primeiro ano em que ele conseguiu competir todas as etapas sem estar lesionado, é que primeiro com a ajuda de Bede Durbidge e agora com as orientações de Ross Williams, o jovem campeão vem desenvolvendo estratégias para vencer as baterias e construir bons resultados. Além disso, quando se fala de John John é importante também destacar seu relacionamento desde que tinha 5 anos de idade com seu conselheiro e shaper Jon Pyzel (Pyzel Surfboards), proporcionando a ele sempre pranchas que atendem 100% das suas necessidades. Ou seja, ele está surfando com o melhor equipamento, utilizando todo o seu talento, dentro dos critérios que os juízes querem e com o livro de regras debaixo do braço. O resultado disso tudo foi a brilhante campanha de 2016 com duas vitórias (Rio e Portugal), dois vices (J-Bay e Tahiti), um terceiro (França), três quintos (Gold Coast, Fiji e Pipeline) e três décimos terceiros (Bells, Margaret e Trestles) e nesse ano de 2017 além de ser o líder do ranking (3º na Gold Coast e 1º em Margaret River) é o mais cotado para ser campeão mundial. Quer ver mais sobre John John Florence assista seu filme “View From a Blue Moon” aqui: https://youtu.be/ROAejW6-5Qw Forte abraço a todos, até Bells!

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Aloha Galera! Dando continuidade ao “vale a pena ver de novo” aqui do blog e uma vez que as “Saideiras” não deram muito ibope, esse mês quero voltar com minha coluna “PoR DentrO do TouR” criada para o site Camerasurf entre os anos de 2009 e 2010, com análises, palpites, bastidores e curiosidades sobre o Circuito Mundial de Surf, coluna essa, aliás, copiada com extrema criatividade pelo site Red Bull Surfing entre 2014 e 2015, trazendo grandes nomes do cenário surf (Teco Padaratz – AGO/14, Adrian Kojin – SET/14, André Gioranelli – DEZ/14, Guilherme Herdy – FEV/15 e Marcos Bocayuva – MAR/15) comentando como convidados algumas etapas do mundial. Bom! Direitos autorais a parte, o “PoR DentrO do TouR” original está de volta pra conversarmos sobre o início da temporada 2017 da WSL. Vamos lá então! Depois de um longo e proveitoso inverno havaiano, com Jadson conseguindo se manter na elite de forma épica com um quinto lugar geral na Triple Crown (5º em Haleiwa, 7º em Sunset e 25º em Pipe), com Adriano sendo vice no Volcom Pipe Pro e com diversas boas performances dos brasileiros durante o freesurf, enfim o circo da WSL foi armado nas areias da Gold Coast para a primeira etapa do ano, o tradicional “Quiksilver PRO” nas famosas direitas do Superbank Australiano. Como muita coisa já foi escrita quero trazer aqui algumas questões que não dizem respeito nem ao retorno cinematográfico de Owen Wright, nem a incrível bateria Medina vs Slater, ou o aéreo 540º do Italo, que, aliás, acabou se machucando durante os treinos e parece que só vai voltar no CT do Brasil (isso se rolar Saquarema). E pra começar, quero falar um pouco de quem está sendo “O Cara!” até agora nesse início de ano, ele é brasileiro, do Guarujá e não é o nosso campeão mundial Adriano “Mineirinho” de Souza. O grande destaque desse começo da passagem do tour pela Austrália atende pelo nome de “Jessé Mendes” e antes de qualquer comentário, gostaria de lembrar que no ano passado, antes da temporada começar, eu disse a mesma coisa sobre o Wilko e muita gente achou que eu estava viajando. Pois é, acho que pela experiência acumulada, pela qualidade do surf que vem apresentando e pelo momento em que se encontra, teremos mais um discípulo do grande Paulo Kid no CT 2018. Após bater na trave algumas vezes Jessé começou 2017 “On Fire” e nas duas primeiras etapas do QS 6000 fez a final em Newcastle vencida por Yago Dora e venceu o Australian Open of Surfing em Sidney tornando-se líder do Qualifying Series com uma boa vantagem sobre os demais. Não bastasse isso foi convidado pra disputar o Drug Aware Margaret River Pro que poderá lhe render valiosos pontos rumo à elite. Jessé viaja e compete desde a infância com um grupo de amigos que se tornaram mundialmente conhecidos como geração Brazilian Storm, além disso, ele namora a também atleta da elite feminina Tatiana Weston-Webb, ou seja, ele conhece todas as ondas, sempre treinou e competiu com os melhores, além de estar vivendo um momento de vida tranquilo, estruturado e ao lado de uma pessoa totalmente inserida no universo surf, o que lhe favorece manter o foco 100% nas competições. Anotaram ai: “Jessé Mendes” Vamos ao próximo! Outro personagem que também vale a pena ser destacado é o primeiro e ao que eu sei único surfista irlandês da história da ASP/WSL (embora seja nascido na Austrália) e que depois de se aposentar em 2015 com uma carreira pouco expressiva, acabou por se tornar uma enorme surpresa como técnico, estou falando de “Glenn Hall” ou “Micro” como era chamado pelos amigos no Tour. Sob as orientações de Glenn Hall o até então inexpressivo Matt Wilkinson surpreendeu a comunidade do surf com um início de ano arrasador em 2016 vencendo as duas primeiras etapas (Gold Coast e Bells), mantendo-se como líder durante boa parte do ano e terminado na quinta colocação. Além disso, também em 2016, sua pupila Tyler Wright garantiu o título mundial feminino com uma etapa de antecipação. Agora, nas primeiras etapas de 2017, no masculino os dois finalistas Owen Wright e Matt Wilkinson são atletas do Micro e no feminino Tyler acabou na quinta colocação sendo barrada apenas pela vencedora do evento Lakey Peterson. Assim, já me desculpando com meus amigos técnicos (rsss…), que tal convidarmos Glenn Hall pra ser o Tite da seleção “Brazilian Storm” nas olimpíadas? Por fim, pra encerra esse retorno do “PoR DentrO do TouR” um assunto, digamos, meio indigesto, porém previsível e diante das últimas notícias, infelizmente, cada vez mais próximo do nosso esporte, qual seja, até quando Dirk Ziff vai bancar a WSL? Digo isso, pois com a renúncia de Paul Speaker (ZoSea) e a saída da Samsung, além do fim da Surfing e da Fluir, será que o “produto” WSL ainda pode ser visto como investimento? Será que o retorno financeiro do Circuito Mundial de Surf valeu a compra das etapas, da piscina de ondas do Kelly e do Big Wave Tour? Será possível um bilionário, que não é surfista, não tem história no surf, continuar colocando milhares de suas verdinhas num esporte sem bilheterias, sem contratos de patrocínio milionários, ou algo que faça multiplicar o dinheiro de seus investidores? Termino por aqui, repetindo uma reflexão que escrevi enquanto voltava pra casa direto das areias do Postinho, após o Rio Pro 2014: “…se o surf não abrir os olhos, pode acabar se descaracterizando, se tornando o que não é, perdendo seus parceiros históricos e finalmente seu verdadeiro público, restando uma “massa de gente” que a qualquer instante pode migrar para o próximo esporte da moda e com ela seus “grandes parceiros” que irão largar a laranja assim que ela não tiver mais suco.” Forte abraço a todos, até Margaret River!

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Saudações habitantes do planeta Terra, tinha até algumas ideias do que escrever esse mês, mas depois do recente anuncio sobre a descoberta de um novo sistema solar com sete planetas orbitando em torno de uma estrela chamada “Trappist-1” com grandes chances de em pelo menos quatro deles existir água e com isso condições de vida como na Terra, não resisti em escrever algumas linhas sobre o assunto. Assim, vamos começar a remar nessa Saideira de fevereiro falando dessas recentes descobertas. Começando pelo astrofísico Michaël Gillon da Universidade de Liège na Bélgica e principal autor do estudo que ao ser perguntado pelas redes sociais se ele e sua equipe já sabiam que nomes dar aos novos planetas respondeu com convicção: “Até agora, só pensamos em nomes de cervejas belgas” o que ajuda a entender o nome “Trappist” provavelmente inspirado nas cervejas trapistas, famosas na Bélgica pelo sabor e teor alcoólico fortes e por serem produzidas sob a supervisão dos monges da Ordem Trapista. Além disso, ele deu outras declarações bem interessantes, tipo: “É um sistema planetário alucinante e seu tamanho é surpreendentemente semelhante ao da Terra” E quando ele diz “alucinante” pode ser porque os cientistas afirmaram que se você pudesse ficar na superfície de um dos planetas e de olhos no céu, você veria os outros seis planetas maiores do que nós, terráqueos, vemos a Lua, ou seja, se apreciar nossa Lua cheia já é alucinante, imaginem que irado seis planetas gigantes brilhando no céu. E por falar em Lua, ao ser questionado acerca da existência de satélites naturais ele respondeu: “Seria estranho ter luas tão perto de uma estrela, estudos ainda esclarecerão essa questão, mas se não tiverem o satélite natural e tiverem oceanos, a proximidade entre os planetas pode influenciar no movimento das ondas, assim como a Lua faz na Terra”. Imaginem então como serão essas novas ondas influenciadas pela proximidade dos planetas? Sim, porque se aqui na Terra existe uma diferença enorme entre as ondas do inverno e do verão, lembrando que a Terra demora 365 dias para dar a volta toda no Sol, imaginem a variação das ondas onde o planeta mais próximo demora apenas um dia e meio para orbitar a estrela e o mais distante cerca de 20 dias. Pensando assim, provavelmente todos os dias teriam altas ondas e pra todos os gostos, bastando apenas planejar qual o melhor horário. E têm mais, os planetas são tão próximos que viagens interplanetárias seriam feitas em dias e não meses ou anos como acontece no nosso sistema solar. Algo como fazer uma surftrip no carnaval pra conhecer novas ondas e paisagens em outro planeta em “Trappist-1” será possível. Pensar na existência de vida em outros planetas é um tema que me atrai muito desde que li o clássico “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich von Däniken quando eu era garoto, não tenho dúvidas de que não estamos sós no universo e de que esses nossos vizinhos já estiveram por aqui, as pirâmides no Egito, as estátuas na Ilha de Páscoa, as linhas de Nazca no Peru, os templos de Puma Punku na Bolívia, tem muita coisa a ser explicada e descoberta, porque eles vieram, porque se foram, se é que foram e se não foram, porque optaram por não mais se expor. Como bem disse Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”. Por hora, embora “Trappist-1” sob o ponto de vista astronômico não esteja muito longe, afinal o que são 40 anos-luz numa galáxia com mais de 100 mil anos-luz de diâmetro, visita-lo só será possível quando a humanidade conseguir dominar a velocidade da luz. Só pra se ter uma ideia, com a tecnologia mais avançada que dispomos hoje levaria algo em torno de 700 mil anos pra chegar lá, assim, a nossa vida, o nosso mundo, nossa história foi e será construída por aqui mesmo, nesse fantástico planetinha azul chamado Terra, cabendo a nós cuidarmos dele para que as futuras gerações possam usufruir, assim como nós, de sua enorme beleza. É isso ai, nos vemos na próxima Saideira!

 

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Em 1995 você não entrava no Facebook, não lia mensagens no WhatsApp e nem tirava suas dúvidas no Google. Mas foi em maio desse ano que a internet começou a ser comercializada no Brasil. A partir de então, brasileiros comuns como eu e você começaram a desbravar um mundo novo, o mundo da “World Wide Web” (esse é o significado daquele “www” antes dos endereços de internet), uma gigantesca rede conectando computadores pelo mundo todo compartilhando informações entre si, naquela época, algo pra lá de fantástico. Nessa tal “web” nós navegávamos através de sites, trocávamos e-mails e conversávamos em salas de bate-papo. Alguns anos depois, em 1999 com a criação de uma ferramenta chamada “Blogger” um novo tipo de utilização da rede acabou por se tornar cada vez mais frequente criando uma espécie de sociedade alternativa dentro da própria internet. Os “Blogs” abreviação de “Web Logs” algo como “Diários de Internet” se tornaram uma febre, usuários sem conhecimento algum em programação conseguiam montar páginas, colocá-las na rede e atualizá-las em poucos minutos. Autores de blogs, chamados “Blogueiros” costumavam publicar listas com links para outros blogs em suas páginas, citavam publicações uns dos outros e isso tornou a “Blogosfera” uma enorme comunidade. Novas ferramentas com mais e melhores recursos foram surgindo como a plataforma “WordPress” em 2003 (que é a minha preferida até hoje) e o “Feed” em 2004 (uma forma de assinatura dos blogs preferidos). Com o tempo, além dos textos e imagens, tornou-se possível publicar vídeos, músicas, podíamos saber estatísticas de acesso e uma infinidade de informações sobre os usuários. Ter um “Blog” bem montado e com conteúdo além de status no mundo virtual se tornou um negócio, passou até a dar um dinheirinho. Assistindo tudo isso acontecer e inspirado em alguns surfblogs pioneiros aqui no Brasil como o “Goiabada” do Julio Adler, o “Tracks” do Giovanni Mancuso, o “Alohapaziada” do Maurio Borges e o “Surf4ever” do Gustavo Otto, bem como em algumas publicações de nossos irmãos portugueses como o Diogo Alpendre com seu “Linha de Onda” e a galera da revista Surf Portugal (Pedro Adão, Ricardo Bravo e outros) que publicaram durante muitos anos o lendário “Ondas”, em 2005 resolvi criar meu primeiro “MaiNeLanD” que depois a partir de 2007 se tornaria também um canal de “Cultura Surf” no site Camerasurf, hoje Climasurf e entre 2008 a 2012 a coluna “Saideira” sempre na última página da Revista Parafina (R.I.P Parafinamag). Pois é, esse mini flashback foi pra contar um pouco da minha história e introduzir vocês nesse meu retorno com uma nova temporada da Saideira, propondo assim como antes, porém agora na sessão “Blog” do MaiNeLanD.net (com divulgação também no meu perfil do Facebook), todos os meses um bate-papo, uma reflexão, um encontro pra contar histórias e dividir ideias com novos e antigos leitores. Assim, seguindo em nossa Saideira que começou lá no outside de 1995 falando de internet e blogs, vamos botar pra acelerar nessa segunda sessão e falar sobre outra coisa que eu e vocês também curtimos demais que é música. E nesse tema, quero pedir licença pra voltar no tempo ainda mais, quero lembrar o que pra mim e acho que pra toda a minha geração foi uma das maiores invenções de todos os tempos, o “Stereobelt” que se tornou popular como “Walkman” ou, pra quem não sabe do que estou falando, eram esses os nomes dos avós do “Tocador de Áudio Portátil”, que ao contrário do que muita gente pensa, foi criado em 1972 pelo meio brasileiro meio alemão Andreas Pavel e que teve sua ideia “roubada” anos depois em 1979 pelo Coordenador do Setor de Áudio da Sony, Nobutoshi Kihara, pra que um dos donos da empresa, o famoso Akio Morita, pudesse escutar ópera durante seu trabalho desgastante. A Sony não deu o braço a torcer e só reconheceu a invenção de Pavel em 2004 depois de muitas brigas judiciais. Paternidade a parte, vocês que hoje escutam suas músicas preferidas através de seus celulares aonde quer que estejam, devem isso a esses caras, tanto Pavel por ser o criador original, como Kihara e Morita por popularizar o invento. Agora, imaginem só como foi pra minha geração que só tinha como o escutar música em aparelhos enormes e obrigatoriamente ligados à tomada, de uma hora pra outra surgir uma forma de levar a música conosco pra todos os lugares, inclusive em frente ao mar, curtindo as ondas, apreciando o horizonte, o nascer e o por do sol. Foi muuuuito irado!!! Nessa mesma época também surgiram o som automotivo e as fitas cassete para a criação de nossas próprias seleções musicais, passando então a ser possível escutá-las durante nossas viagens em nossos carros. Ou seja, nossas vidas ganharam trilhas sonoras, tudo ficou mais mágico, mais especial, ainda mais naquela época em que despontavam, pelo menos pra mim, as melhores bandas de rock de todos os tempos. Pois bem, como de costume eu começo a contar histórias e a coluna começa a querer se tornar meio que um capítulo de livro, então, vamos para o inside da nossa Saideira com uma surpresinha que preparei pra vocês nesse meu retorno, é o seguinte, resolvi criar uma “playlist” e disponibilizá-la pra vocês aqui nesse menu do lado direito do texto. Naqueles tempos, costumava gravar minhas k7s criando as trilhas sonoras pras minhas viagens e com o tempo, os amigos que gostavam pediam uma cópia e aos poucos isso acabava se tornando uma tradição, com nomes tipo “Ubatuba 86” (ano do 1º Sundek Classic) ou “Verão 87” (que ficou famoso como Verão da Lata), depois com o avanço da tecnologia, com a chegada do CD, depois do MP3, com a possibilidade de inclusão de inúmeras músicas numa mesma mídia esse hábito acabou se perdendo. Então, cravando minhas quilhas na areia desse retorno da Saideira, deixo vocês com a primeira “PlayList MaiNeLanD” trazendo como era antes, em poucas faixas, um pouco do que andei escutando nesse “Verão 2017”. Beijos e Abraços pra Geral, Keep Surfing, Mahalo, Paz!

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“Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.”

ANTONIO MACHADO

Lembro-me de quando comecei em meu emprego atual, tinha vinte e poucos anos, isso lá nos idos de “80 e tal”, depois de trabalhar quase 10 anos dentro do universo surf, tentar ser atleta (não tinha talento pra isso), sonhar em ter minha própria marca (me faltou dinheiro ou uma família rica que me patrocinasse), participar de diversas empresas no início do mercado de surfwear no Brasil (ajudei muita gente a ganhar dinheiro com meu trabalho e minhas ideias), enfim, depois de tentar a vida trabalhando no que eu amo, acabei por escutar os conselhos dos meus pais e em busca de uma tal “estabilidade” parti para os concursos públicos, comecei a estudar duro, mudei meu foco e depois de algumas tentativas consegui ser aprovado para uma das carreiras mais disputadas e desejadas do mundo jurídico (pelo menos na época). Pois bem, isso já faz quase 30 anos e nesse tempo muuuita coisa mudou, tanto na minha vida, quanto no universo surf, no mundo jurídico, no Brasil e em todo o Planeta. Acho difícil avaliar se o caminho que escolhi foi o melhor, foi o meu caminho, o que eu consegui trilhar, o caminho pelo qual lutei (e luto diariamente), o caminho que me fez ser quem sou hoje, sou muito grato a ele e a todos com os quais eu convivi nesse caminho, grato a minha família, amigos, companheiros de trabalho e até aos bons inimigos que tornaram nossas batalhas momentos de aprendizagem e as vitórias mais saborosas e merecedoras. Escrevo isso como uma introdução a uma reflexão que gostaria de propor aqui com vocês, aliás, durante muitos anos tive por hábito escrever crônicas de final de ano propondo reflexões aos leitores das minhas colunas e do meu antigo blog MaiNeLanD. Hoje não será diferente, embora tanto eu quanto os tempos atuais estejam beeem diferentes. Tempos de crise, de corrupção em proporções avassaladoras, de uma inversão de valores sem precedentes por parte da sociedade, o que me tem feito pensar muito em qual será o caminho do meu filho, que conselhos dar a ele com relação a que caminho seguir, ou seja, será que o meu modelo de vida baseado em: estudar + formar + emprego + família + aposentadoria + finalmente descanso, ainda é uma boa opção, ou a única boa opção? Será que a nossa função principal nesse mundo é trabalhar o dia inteiro, dia após dia esperando pelo final de semana pra só então curtir alguns poucos momentos de tranquilidade e seguir nesse ritmo pra só após um ano inteiro conseguirmos 30 dias de férias (isso se elas não forem vendidas), pra poder enfim descansar? Será que precisamos de tanto dinheiro assim? Será que realmente precisamos comprar coisas que nem sabemos de fato se queremos ou se queremos porque nos dizem que é isso que precisamos querer? Será que não seria o momento pra uma reflexão maior sobre o que realmente necessitamos e como escaparmos dos atuais padrões de consumo que nos são impostos por uma sociedade totalmente corrompida por valores materiais e necessidades supérfluas. É lógico que a grande maioria da população precisa de mais dinheiro, especialmente em tempos de crise, isso é um fato. Também é de se ressaltar que o preço das coisas está cada vez mais alto e quer você queira ou não, acaba tendo que entrar nesse espiral enlouquecido de consumo mesmo contra sua vontade. Afinal, será que vale a pena abrir mão do nosso tempo, esse recurso tão raro e não renovável, nosso bem mais precioso e que dinheiro algum nesse mundo é capaz de comprar, em troca de coisas supérfluas ou luxos sem propósito. Digo a vocês sem o menor medo de errar. A vida é mais do que isso! A vida tem que ser muito mais do que isso! Tenho pensando muito sobre qual o real sentido da vida, o que realmente é necessário e o que é supérfluo, porque comprar o tênis da marca X, se o que realmente eu necessito é de um calçado; porque comer no restaurante Y, se o que meu corpo precisa é apenas de alimento, e por ai vai uma sucessão enorme de supostas necessidades e prioridades sem o menor propósito. Talvez seja essa a palavra, “propósito” e daí o título lá em cima, a pergunta que eu te faço e a proposta de reflexão para esse final de 2016, início de 2017. Qual o seu propósito nessa vida? Esse caminho que você está vai te levar a esse propósito? Sim! Digo isso pois muitos de nós, assim como eu lá nos idos de “80 e tal” optamos por seguir um determinado caminho e essa escolha sempre é feita condicionada a um determinado propósito, um objetivo, um destino seja qual for o caminho escolhido. Assim, deixo aqui mais uma pergunta, mais uma reflexão: Será que é certo querer mais e ter mais do que a gente precisa? Será que o certo não seria viver com o necessário, viver só com aquilo que precisamos e buscar um propósito maior que não seja pensar só em nós, mas no bem estar de todos? Vocês já pararam pra pensar em quantas pessoas estão mergulhadas nesse mundo de necessidades supérfluas, sofrendo crises de ansiedade e depressão por falta de um verdadeiro propósito em suas vidas? Porque comprar e consumir coisas desnecessárias, não é propósito, não traz nada, não leva a nada, são apenas prazeres efêmeros e imediatos. Será que isso vale o nosso precioso tempo? Será que esse é o caminho certo? Trabalhar, trabalhar, horas e horas a fio, não restando tempo pra mais nada além de trabalho e umas poucas horas de repouso. Esse é o seu propósito? Esse foi o destino daquele caminho que você escolheu lá no início? Não sei se vocês já assistiram ao filme “Click” com o Adam Sandler, mesmo pra quem já assistiu, segue como minha sugestão em complemento a esse texto. Acredito meus amigos e amigas que tiveram o carinho e a paciência de ler esse texto até aqui, que não importa como, não importa quando, mas precisamos usufruir melhor o nosso tempo e quando digo “usufruir” não é apenas ter mais tempo, é aproveitar esse tempo fazendo algo que nos faça realmente bem, que nos traga alegria e boas recordações como estar junto de nossas famílias e amigos verdadeiros, usufruir esse tempo com atividades que nos tragam saúde e bem estar como praticar esportes e ficar junto à natureza e por fim, tentar buscar um propósito nesse nosso caminho, algo que fique de exemplo para as gerações futuras, que justifique a sua passagem por essa vida, algo que dinheiro nenhum compra e que não tem valor material, mas que fique dentro dos corações e mentes daqueles com quem você conviveu. Se os seus sonhos vão ser apenas sonhos ou se esses sonhos se tornarão realidade, depende de como você está vivendo o agora. Não tenha medo do futuro, lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou. A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos. Não lamente o passado, não sofra por antecipação, viva o presente intensamente e com sabedoria, usem camisinha, protetor solar e bebam muita água, álcool e direção nem pensar, drogas são uma roubada, faça esporte todos os dias e se possível sexo todas as noites, isso sim da barato, leiam um bom livro e tentem desligar a televisão sempre que possível, esses são apenas alguns conselhos, mas que cada um ao seu jeito, que todos nós possamos curtir um final de ano com muita paz, muita saúde, nesse gostoso clima de férias e de verão, curtindo junto dos nossos o lado bom da vida, dias felizes, inesquecíveis e que ficarão guardados para sempre em nossas memórias e corações! Um Feliz Natal para todos vocês, suas famílias e amigos, que 2017 seja um ano de muita saúde, muitas realizações e muita paz para todos nós! E como costumava encerrar minhas colunas… Beijos e Abraços pra Geral, Keep Surfing, Mahalo, Muita Saúde e Muita Paz!!

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