Aloha Galera! Mesmo com excelentes ondas, campeonatos com organização impecável e com “estrangeiros” vencendo dois dos três eventos, infelizmente, a elite do surf mundial deverá perder o sensacional Drug Aware Margaret River Pro em 2018, o motivo, além do aspecto financeiro, seria que os atuais “donos do jogo” acham que três etapas favorecem demais os australianos e como venho falando aqui já faz um bom tempo, o Dirk Ziff’s Crew, leia-se atual comando da WSL, quer a qualquer custo que os protagonistas do Championship Tour sejam Yankees, ou seja, embora eles nunca venham admitir, essa história de Brazilian Storm ou Aussie Young Guns não interessa nem um pouco aos atuais mandatários do maior circuito de surf competição do planeta, eles querem ser os mocinhos, os heróis, assim como em suas produções de Hollywood. Bom! Melhor parar esse assunto por aqui e polêmicas a parte, vamos falar de Bells. Enfim deu Jordy! E pra quem achava que o título desse ano já estava garantido para John John, nesses eu me incluo, com essa vitória o gigante sul-africano mostrou que está na briga, ele não só apresentou um surf de altíssimo nível, como competiu com o livro de regras debaixo do braço surfando sempre dentro dos critérios que os juízes queriam ver. A muito que torço pelo Jordy, a qualidade de seu surf sempre foi indiscutível e o que lhe faltava talvez fosse um pouco mais de determinação em vencer, um pouco de paciência, de fazer o que é preciso pra passar a bateria e que muitas vezes não é o que faz a praia toda vibrar, o aéreo mais alto, o tubo mais insano, a maturidade parece ter trazido essa consciência de que as vezes para cumprir o dever de casa é necessário fazer o arroz com feijão ao invés de dar show. Gostei muito da declaração dele após enfim badalar o tão cobiçado sino de campeão: “Eu venho tentando ganhar este campeonato há 10 anos e conseguir agora é um sentimento incrível, um grande sonho se tornando realidade para mim. Depois de alguns anos sofrendo com lesões, sinto que as peças do quebra-cabeça estão se encaixando este ano. Minha esposa e minha família estão comigo e não poderia conseguir nada disso sem o apoio deles”. Outros dois caras que pra mim também estão na briga e que parecem estar com essa mesma pegada, ambos atravessando momentos em que a maturidade aliada ao equilíbrio familiar e profissional estão fazendo a diferença no foco e equilíbrio dentro das baterias são Owen Wright e Adriano de Souza. Por fim e não menos importante, quero escrever algumas linhas falando sobre Filipe Toledo, sim, todos sabem da minha admiração e torcida pelo Filipinho, isso não é novidade pra ninguém que acompanha minhas colunas, porém e já desafiando os críticos sempre de plantão, mesmo com o que escrevi sobre Jordy, Owen e Adriano, com John John quebrando tudo e sendo nesse momento o grande favorito ao título, além de Medina e Fanning que mesmo aparentemente fora da briga serão sempre favoritos, quero que vocês anotem ai: #77 TOLEDO como minha aposta para ser o Campeão Mundial de 2018. Com seu 3º lugar num dos maiores mares da história em Margaret, com Slater, Medina e Fanning não passando nem do round 03 e agora esse 5º em Bells (diga-se de passagem, pela terceira vez 2013, 2015 e 2017) vencendo de forma inquestionável o três vezes campeão do evento e especialista no pico Joel Parkinson, em ondas grandes e com manobras de borda, creio que não há o que se falar mais sobre a coragem, habilidade e preparo do Filipe em ondas com tamanho e pressão. Agora é aguardar os próximos capítulos começando por Saquarema, pra mim a melhor onda do Brasil, onde Wilko (2012) e Guigui (2014) já venceram. Forte abraço a todos, agora é em casa!