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Outro dia voltando pra casa, me deparei no rádio com uma voz ácida muito parecida com a do Bob Dylan, porém, cantando uma canção que eu não conhecia, fui descobrir depois ser um jovem inglês de vinte e poucos anos cujo nome é Jake Bugg. Na hora me veio uma vontade enorme de ouvir “o original” e por coincidência a primeira musica que encontrei, uma das minhas preferidas, foi composta por Dylan quando tinha também vinte e poucos anos, isso em 1962, auge da Guerra do Vietnã, o jovem Bob Dylan refletia com sensibilidade impar sobre a paz, a guerra, a compaixão e a liberdade. A canção recebeu o nome de “Blowin’ in the Wind” e passados mais de cinquenta anos, infelizmente, ela continua atual. Diz mais ou menos assim:

Quantas estradas um homem precisa percorrer
Antes que venha a ser chamado de homem?

Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa repousar na praia?

E por quantas vezes ainda as balas de canhão voarão
Até que sejam para sempre banidas?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

Quantos anos deve uma montanha existir
Até que se desmanche no mar?

Quantos anos devem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas serem livres?

E quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

Quantas vezes deve um homem olhar para cima
Antes que possa enxergar o céu?

Quantos ouvidos deve um homem possuir
Até que possa ouvir o lamento do próximo?

E quantas mortes ainda serão necessárias
Até que perceba que pessoas demais morreram?

A resposta, meu amigo,
está soprando no vento
A resposta está
soprando no vento

De lá pra cá nosso mundo mudou muito pouco e o ser humano permanece o mesmo. Assim, continuando com a reflexão de Dylan, quantas milhas ainda deveremos percorrer, até alcançar a cidade do amor? Quantas vidas ainda serão castigadas pelo terrível flagelo das guerras. Por quanto tempo ainda nos deixaremos fascinar por futilidades do mundo moderno, ignorando os necessitados ao nosso redor? Quanto tempo ainda haverá de correr, até que aprendamos a conjugar o verbo partilhar? E por fim, quanto tempo irá se passar até que vivenciemos a simplicidade e a sabedoria de palavras como as de Mario Quintana: “O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores.” Quanto Tempo?