CAPA

“O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana” Stephen Hawking

Semana passada participei de um evento sobre computação cognitiva, inteligência artificial e utilização de bots. Confesso que, apesar de ser um entusiasta de tecnologia, me senti um tanto quanto meus avós, lááá nos primeiros tempos da televisão, sem acreditar que a imagem de uma pessoa distante pudesse aparecer naquelas caixas com telas de vidro. Deixe-me dividir um pouco dessas novidades com vocês. Então… Recentemente a IBM divulgou que num futuro próximo os computadores irão poder simular todos os sentidos humanos. Por exemplo, aqui mesmo no Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Instituição pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura) já desenvolveu sensores de paladar para analisar vinhos. Isso mesmo, sensores que medem a acidez, o amargor, a quantidade de tanino, entre outros componentes do vinho, transformando esses resultados em sinais elétricos que são transmitidos a uma máquina para serem armazenados como conhecimento sobre sabores de vinho. Seguindo nesse mesmo universo dos sentidos, existem pesquisas sobre a audição, onde estão sendo analisados os campos semânticos de diversos estilos musicais, as temperaturas, padrões de textura e rigidez dos materiais em estudos sobre o tato e assim por diante para cada um dos outros sentidos humanos. Incrível, né?! Dentro da realidade a que temos acesso, isso porque tem muitas coisas que não vem a público, já existem super-máquinas capazes de vencer disputas com os campeões mundiais de xadrez, com os maiores vencedores do programa Jeopardy (uma espécie de Show do Milhão da rede americana CBS) e até um protótipo de robô projetado e construído pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que além de ter forma semelhante à de um humano (cabeça, olhos e braços) ele possui um sistema nervoso artificial que pode simular tanto as fases de crescimento do homem, como seus pensamentos e sentimentos, adquirindo conhecimento na medida em que interage com os seres humanos assim como os bebês humanos fazem. Os assistentes pessoais inteligentes (Siri, Google Now, Cortana, etc.) hoje já são uma realidade tanto em smartphones, televisores, como até em veículos e não está longe o dia em será possível conversar naturalmente com as máquinas como se fossem pessoas dotadas de plena compreensão. Na verdade robôs como o Asimo da Honda, já fazem isso, mas de forma “ainda” limitada. E recentemente em Cingapura começaram os testes de um serviço de “robô-táxi” ou “carros autônomos” como estão sendo chamados, onde através de um aplicativo de celular pessoas podem chamar veículos elétricos da Mitsubishi equipados com um sistema capaz de guiar sozinho. As máquinas estão cada vez mais envolvidas em todos os setores das atividades humanas, do controle bancário até o comando de aeronaves, de delicadas cirurgias até os setores de montagem de veículos. A motivação por traz de todos esses “avanços” tecnológicos seria facilitar a vida do homem, poupando-lhe esforços e assegurando-lhe maior tempo livre. Contudo, será que esse tempo maior de lazer está sendo bem aproveitado? Voltando ao início do texto, quando disse ao meu filho sobre os temas do evento, principalmente “inteligência artificial” ele me respondeu de forma clara e objetiva que gostaria de participar e dizer a todos que “desenvolver esses tipos de tecnologias é colocar em risco toda uma geração” no caso, se referindo à geração dele, ele só tem 13 anos. Com a minha cara de espanto, ele então procurou me explicar um pouco mais do seu entendimento sobre o assunto: “Pai, se a sua geração criar máquinas com inteligência artificial e vontade própria, quem garante que essas criaturas não irão se voltar contra a minha geração?”. Deixei-o na escola, fui ao evento e estou aqui refletindo com vocês, será que isso pode acontecer? Em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” filme esse de 1968, isso mesmo 1968, ou seja, há quase 50 anos atrás Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke já nos alertavam para os perigos da criatura se voltar contra o criador. No filme, o computador da nave HAL 9000 voltasse contra os tripulantes ao perceber que eles querem desativá-lo pondo em risco a missão para a qual foi programado. A solução encontrada no cinema foi simples, após muito suspense e ação, o mocinho consegue tirar “Hal” da tomada. Será que com esses “avanços” não estaremos colocando em risco nosso futuro?