Tudo é loucura ou sonho no começo, nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.
(Monteiro Lobato – Mundo da Lua – 1923)
Creio que por mais visionárias que fossem as mentes de Monteiro Lobato, Santos Dumont, ou qualquer outro estudioso do futuro do século 20, eles jamais imaginariam que logo no início do século seguinte, o maior varejista do mundo, o Alibaba, não possuiria nenhum produto em seu estoque, que a maior empresa de reserva de hospedagens do planeta, o Airbnb, não teria um único imóvel, ou que a maior empresa de mídia da atualidade, o Facebook, não produziria nenhum tipo conteúdo próprio. Pois é, até para mim que estou vivendo todas essas transformações, isso às vezes é meio surreal. E por falar em coisas surreais, em Facebook e futurologia, foi numa reportagem sobre a rede social de Mark Zuckerberg, criada em 2004, que escutei pela primeira vez a palavra “Petabyte” e resolvi então pesquisar sobre o assunto. Encontrei que o “Petabyte” é um múltiplo da unidade de informação byte indicando a quinta (peta) potência de 1.000, ou seja, 1.000.000.000.000.000 bytes (se perdeu as contas, são 15 zeros), em medidas digamos “atuais” é o equivalente a 1.000 Terabytes. Se vocês ficaram curiosos pra saber o que vêm depois, eu também fiquei então ai vai: depois dos “Petabytes” virão os “Exabytes”, os “Zettabytes” e os “Yottabytes”, a seguir ao que parece ainda não existem definições “oficiais”, mas dizem por ai que a sequencia será: Brontobytes, Geopbytes, Saganbytes, Pijabytes, Alphabytes, Kryatbytes, Amosbytes, Pectrolbytes, Bolgerbytes, Sambobytes, Quesabytes, Kinsabytes, Rutherbytes, Dumbnibytes, Seaborgbyttes, Bohrbytes, Hassiubytes, Meitnerbytes, Dormstadbytes até os “Teoentbytes” que pela minha pesquisa foi o maior múltiplo de byte que eu encontrei. Pois é, a tecnologia está crescendo em proporções e velocidade inimagináveis e com ela, cada vez mais, o mundo está se transformando num ambiente mais fácil e compreensível aos nativos digitais e terrivelmente complicado e hostil para aqueles com dificuldades em se adaptar a esses novos tempos. Essa “troca de guarda” está acontecendo a passos largos e me sinto um privilegiado em poder vivenciar intensamente todo esse processo de perto, tanto auxiliando nas dificuldades dos meus pais octogenários, como aprendendo com meu filho adolescente (hoje com 15 anos) e que a muito já nada com braçadas largas em todo esse gigantesco mar de novidades tecnológicas. Além disso, profissionalmente, venho participando ativamente já a algumas décadas de inúmeros projetos e iniciativas de transformação e desenvolvimento tecnológico dentro do universo jurídico onde atuo. E falando em transformação, estudos apontam que 47% dos empregos que hoje conhecemos irão desaparecer nos próximos 25 anos e que até 2030, aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, talvez a profissão do seu filho ainda não tenha sido criada. E esse “fenômeno” não se trata de algo inédito na história da humanidade. Basta lembrarmos a Revolução Industrial e suas consequências. Muitas profissões foram extintas, outras tantas sofreram impactos em maior ou menor grau, mas também muitas novas profissões e oportunidades surgiram concomitantemente. E nem precisamos ir tão longe, voltando à mesma linha do que estava escrevendo lá no início desse texto, a Netflix faliu as locadoras, o Spotify acabou com os CDs, o Uber já é o pesadelo dos taxistas, o Waze aposentou o GPS e por ai vai, você já se imaginou sem seu WhatsApp? As mudanças estão acontecendo a todo o instante e cada vez mais rápido, a Google e a Tesla, dentre outras empresas, já têm protótipos de carros autônomos que podem dirigir por longas distâncias com muita segurança e eficiência, o resultado disso será que em breve não teremos mais motoristas de caminhão e na sequência com certeza surgirão táxis automatizados, veículos de transporte público autônomos e porque não aviões sem pilotos humanos, afinal, no Japão já existem lojas usando robôs humanoides como atendentes, a Marinha dos EUA está testando robôs em seus navios e a Microsoft para vigiar seu campus na Califórnia. Aproveitando essa janela que estamos abrindo para o futuro, quanto tempo vocês acham que irá demorar até que as impressoras 3D fiquem mais acessíveis e presentes em nosso dia a dia? Quanto tempo falta para que possamos produzir quase tudo o que quisermos em casa, com um custo baixíssimo e em muito menos tempo? Por exemplo, imaginem podermos criar roupas com a mesma facilidade como fazemos hoje com e-books, músicas e filmes. Ou então, utilizarmos nossas células tronco como matéria prima para que impressoras medicinais produzam novos órgãos ou partes defeituosas dos nossos corpos, tratando doenças juntamente com a nanotecnologia antes que elas se manifestem em nossos organismos. Atualmente, muitos algoritmos já nem estão sendo mais escritos por seres humanos, os mais avançados já estão sendo desenvolvidos por outros algoritmos, ou seja, pelas próprias máquinas através de técnicas de inteligência artificial. E por falar em inteligência artificial, muitos dizem que não está longe o dia em que ela irá ultrapassar a inteligência dos seres humanos e nesse momento, com minhas desculpas àqueles que sustentam previsões apocalípticas do tipo: “as máquinas vão dominar o mundo e acabar com a humanidade”, prefiro pensar, por exemplo, numa união entre seres humanos e robôs, tanto digitalmente, quanto fisicamente, tratando, operando e salvando vidas em qualquer lugar do mundo com muito mais eficiência e precisão. Nessa mesma linha de raciocínio, com a evolução do projeto genoma, a medicina preditiva, uma espécie de medicina genética preventiva, ficará cada vez mais evoluída e acessível transformando e revolucionando ano após ano os cuidados com a saúde. Logo logo será super comum realizar diagnósticos precoces de doenças através de dispositivos portáteis e porque não até sequenciamentos gratuitos de DNA. Esses avanços para o nosso bem estar físico são sensacionais, porém, acredito que também tenha muito a ser desenvolvido em tecnologias que nos ajudem com nossa saúde mental, afinal, dados recentes da Organização Mundial de Saúde indicam que a depressão, a ansiedade e a exaustão mental estão entre os principais males do século 21 atingindo cerca de meio bilhão de pessoas pelo mundo. Diante disso e considerando que muitos cientistas já afirmam que nos próximos dez anos teremos uma transição gradativa da internet como conhecemos para o que está sendo chamado “brain-net” algo como uma conexão direta entre nossos cérebros e computadores, permitindo transmissões instantâneas de nossos pensamentos, emoções, sentimentos e memórias para qualquer lugar do planeta, revolucionando assim tudo o que conhecemos hoje em áreas como comunicação e entretenimento, além de proporcionar profundos avanços na área médica com novos tratamentos e cuidados preventivos envolvendo a saúde mental da população. Pois é meus amigos e amigas, não temos como negar que uma Terceira Revolução Industrial está para acontecer, se é que já não está em curso e com certeza esse processo irá mudar definitivamente o mundo como conhecemos, assim, para que eu consiga terminar por aqui esse texto, pois a amplitude do tema somada a minha curiosidade daria pra escrever um livro sobre esses assuntos, quero deixar vocês com uma reflexão acerca de uma fusão que está para acontecer nos próximos anos, algo como uma conexão entre a tecnologia da internet e as energias renováveis. Dessa união surgirá uma nova e poderosa infraestrutura, algo como uma “internet de energia” assim como nos dias de hoje geramos e compartilhamos informações online, só que com milhões de pessoas produzindo e distribuindo sua própria energia feita em casa, no escritório, nas fábricas, etc, democratizando assim a demanda energética mundial, com impactos em todas as relações humanas, desde a maneira como conduzir os negócios e governar a sociedade, até a forma de educar nossos filhos. Essas mudanças irão dar à luz a um sistema econômico híbrido, composto pela economia de troca do mercado capitalista, com uma economia de compartilhamento de bens comuns colaborativos e tudo isso funcionando tendo como lastro a próxima geração de Bitcoins que irá substituir o dinheiro, criando assim um novo paradigma para o comércio e os negócios nessa nova economia. Terminando como comecei, pode parecer loucura, pode parecer sonho, mas algum de vocês ainda duvida que boa parte do que escrevi irá acontecer em breve?

“O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana” Stephen Hawking
Semana passada participei de um evento sobre computação cognitiva, inteligência artificial e utilização de bots. Confesso que, apesar de ser um entusiasta de tecnologia, me senti um tanto quanto meus avós, lááá nos primeiros tempos da televisão, sem acreditar que a imagem de uma pessoa distante pudesse aparecer naquelas caixas com telas de vidro. Deixe-me dividir um pouco dessas novidades com vocês. Então… Recentemente a IBM divulgou que num futuro próximo os computadores irão poder simular todos os sentidos humanos. Por exemplo, aqui mesmo no Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Instituição pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura) já desenvolveu sensores de paladar para analisar vinhos. Isso mesmo, sensores que medem a acidez, o amargor, a quantidade de tanino, entre outros componentes do vinho, transformando esses resultados em sinais elétricos que são transmitidos a uma máquina para serem armazenados como conhecimento sobre sabores de vinho. Seguindo nesse mesmo universo dos sentidos, existem pesquisas sobre a audição, onde estão sendo analisados os campos semânticos de diversos estilos musicais, as temperaturas, padrões de textura e rigidez dos materiais em estudos sobre o tato e assim por diante para cada um dos outros sentidos humanos. Incrível, né?! Dentro da realidade a que temos acesso, isso porque tem muitas coisas que não vem a público, já existem super-máquinas capazes de vencer disputas com os campeões mundiais de xadrez, com os maiores vencedores do programa Jeopardy (uma espécie de Show do Milhão da rede americana CBS) e até um protótipo de robô projetado e construído pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que além de ter forma semelhante à de um humano (cabeça, olhos e braços) ele possui um sistema nervoso artificial que pode simular tanto as fases de crescimento do homem, como seus pensamentos e sentimentos, adquirindo conhecimento na medida em que interage com os seres humanos assim como os bebês humanos fazem. Os assistentes pessoais inteligentes (Siri, Google Now, Cortana, etc.) hoje já são uma realidade tanto em smartphones, televisores, como até em veículos e não está longe o dia em será possível conversar naturalmente com as máquinas como se fossem pessoas dotadas de plena compreensão. Na verdade robôs como o Asimo da Honda, já fazem isso, mas de forma “ainda” limitada. E recentemente em Cingapura começaram os testes de um serviço de “robô-táxi” ou “carros autônomos” como estão sendo chamados, onde através de um aplicativo de celular pessoas podem chamar veículos elétricos da Mitsubishi equipados com um sistema capaz de guiar sozinho. As máquinas estão cada vez mais envolvidas em todos os setores das atividades humanas, do controle bancário até o comando de aeronaves, de delicadas cirurgias até os setores de montagem de veículos. A motivação por traz de todos esses “avanços” tecnológicos seria facilitar a vida do homem, poupando-lhe esforços e assegurando-lhe maior tempo livre. Contudo, será que esse tempo maior de lazer está sendo bem aproveitado? Voltando ao início do texto, quando disse ao meu filho sobre os temas do evento, principalmente “inteligência artificial” ele me respondeu de forma clara e objetiva que gostaria de participar e dizer a todos que “desenvolver esses tipos de tecnologias é colocar em risco toda uma geração” no caso, se referindo à geração dele, ele só tem 13 anos. Com a minha cara de espanto, ele então procurou me explicar um pouco mais do seu entendimento sobre o assunto: “Pai, se a sua geração criar máquinas com inteligência artificial e vontade própria, quem garante que essas criaturas não irão se voltar contra a minha geração?”. Deixei-o na escola, fui ao evento e estou aqui refletindo com vocês, será que isso pode acontecer? Em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” filme esse de 1968, isso mesmo 1968, ou seja, há quase 50 anos atrás Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke já nos alertavam para os perigos da criatura se voltar contra o criador. No filme, o computador da nave HAL 9000 voltasse contra os tripulantes ao perceber que eles querem desativá-lo pondo em risco a missão para a qual foi programado. A solução encontrada no cinema foi simples, após muito suspense e ação, o mocinho consegue tirar “Hal” da tomada. Será que com esses “avanços” não estaremos colocando em risco nosso futuro?